Com a utilização
da tecnologia eletrônica, a arte se insere num
ambiente em que a instantaneidade e a velocidade atingem
as formas de criação e em que as funções
de memória, automação e teletransporte
são incorporadas às técnicas
de produção de imagens.
As mensagens icônicas produzidas a partir das
Novas Tecnologias da Comunicação (NTC)
convivem sobretudo com a imaterialidade, o efêmero,
a interface, a transdução, a interatividade,
o ubíquo, o disponível, a telecultura
em rede, a simulação, o museu imaginário
eletrônico.
Os novos meios tecnológicos possibilitam a
transmissão da informação sob
forma numérica, permitindo que diferentes códigos
sejam traduzidos, em tempo real, para diferentes interfaces
e por entre os dispositivos transdutores. Tal processo,
que opera pelo contato, pela passagem e pela tradução,
está na base da dialética entre virtualização
e atualização, já que é
por uma transformação (entre imaterial
e material) que a imagem digital pode vir a atualizar-se
sob diferentes configurações.
Visto que tudo que circula é código
numérico, e que este tipo de imagem só
se deixa ver, ouvir, tocar, etc. quando vinculado
a um determinado suporte, torna-se evidente esse seu
duplo caráter. Isto implica, de um lado, que
a imagem se apresenta marcada pela fisicalidade da
interface tecnológica utilizada, incorporando
a possibilidade de interpenetração e
mistura de diferentes códigos e, do outro,
que ela é sobretudo um banco de dados contido
em memória digital.
Assim, à disposição do criador
encontra-se uma potente infra-estrutura, com a qual
ele mantém uma relação sinérgica,
no intuito de viabilizar, no jogo entre inovação
e conservação, o aparecimento das poéticas
digitais. Ao amplificarem as suas capacidades cognitivas
- sensíveis e inteligíveis -, os meios
eletrônicos participam do processo de criação
artística, caracterizando um tipo de prática
fundada em um permanente diálogo entre o que
é da ordem do individual e o que é da
ordem do coletivo.
Dessas transformações resultam produtos
artísticos que se distinguem em razão
da forma como foram concebidos, diferenciados pelas
especificidades e potencialidades da tecnologia digital.
Assinalam-se mudanças no que se refere à
condição do artista, aos processos criativos
e à natureza da arte. Surgem ramos da arte
que têm afinidade com uma função
estética, não prioritariamente resultante
da filosofia do belo, mas próxima dos princípios
da Teoria da Informação, da Cibernética
e das Novas Tecnologias da Comunicação.
Neste contexto das relações entre arte
e tecnologia digital, o nosso curso pretende investigar
o impacto trazido pelo emprego das Novas Tecnologias
da Comunicação (NTC) no desenvolvimento
dos processos criativos, na perspectiva de conhecer
os tipos de poéticas que decorrem da prática
artística, própria da cultura do "disponível".
Semanas Temáticas
Semana 1 - O potencial criativo e as técnicas
de produção de imagens.
Pretendemos analisar a mudança de paradigma
ocorrida na criação de imagens, investigando
como o potencial criativo é influenciado pelas
técnicas de produção.
Semana 2 - As potencialidades
das Novas Tecnologias da Comunicação
A proposta é examinar de que maneira as Novas
Tecnologias da Comunicação afetam os
sistemas de produção de imagens, para
tanto identificando as potencialidades por elas trazidas
no contexto da relação produção/arte/recepção.
Semana 3 - As poéticas
digitais
A nossa intenção é analisar os
três grandes grupos de poéticas digitais,
destacando para cada uma delas as suas principais
características, assim como os modos de operar
a elas inerentes.
Semana 4 - A dialética
entre criação e recepção
A perspectiva é investigar a dialética
entre criação e recepção
no contexto das poéticas digitais, destacando
o papel do autor e do leitor como estratégias
imagéticas e/ou textuais inerentes à
estrutura da imagem.