Pesquisadores da FACOM colaboram com rede de informações sobre o COVID-19

Publicado em: 14-04-2020

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (PósCom) da Faculdade de Comunicação da UFBA (FACOM) estão atuando, colaborativamente, em uma das frentes de trabalho da Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade –, iniciativa conjunta do Cidacs/Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Eles se somam à equipe científica e multidisciplinar da Rede que atua no monitoramento da pandemia de COVID-19, com previsões de sua possível evolução, no Brasil, bem como com a produção de sínteses de evidências científicas tanto para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades como para informar o público em geral. 

A Rede CoVida foi formada há praticamente um mês, dias depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a Pandemia de Coronavírus. A iniciativa surgiu como um projeto multidisciplinar e solidário de colaboração e atualmente reúne mais de 100 profissionais de todo o país, trabalhando na seleção e divulgação de evidências científicas confiáveis. Matemáticos, epidemiologistas, estatísticos, profissionais da saúde, de tecnologia e de comunicação trabalham em conjunto no monitoramento da pandemia no país, com destaque para a Bahia, e na predição de cenários, informando a sociedade e apoiando gestores na tomada de decisão. Veja o organograma da Rede abaixo. 

 

Organograma da Rede CoVida 

Os estudantes do PósCom – boa parte integrantes do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (GJOL) e do Grupo de Pesquisa em Gênero,Tecnologias Digitais e Cultura (GIG@) – fazem parte do grupo responsável por pensar soluções de comunicação que ajudam no enfrentamento da pandemia. Os profissionais reúnem expertises diversas, como o conhecimento em divulgação científica, assessoria de imprensa e mídias sociais.  

Raíza Tourinho (Cidacs/Fiocruz), que está à frente da coordenação do Grupo de Comunicação da Rede CoVida e é uma das responsáveis por reunir parte dos profissionais que atua neste grupo, detalha a formação da equipe. “A composição é diversa, com conhecimento em várias áreas da comunicação e expertise qualificada. A maioria está cursando ou já cursou pós-graduações. A rede é aberta e estamos receptivos a novos colaboradores e interessados”, afirmou a jornalista.

A doutoranda Mariana Alcântara e a professora Suzana Barbosa (GJOL) também estão participando, ao lado de Raíza Tourinho, da coordenação do Grupo de Comunicação. Mariana, que é jornalista egressa da FACOM e também especialista em Jornalismo Científico pela Unidade, explica como funciona o trabalho. “O grupo elabora estratégias para traduzir a pandemia à sociedade, comunicando melhor os achados científicos. Uma das formas de realizar isso é levando informação e dados seguros aos próprios jornalistas”, explica. 

A tarefa acontece no tratamento da informação especializada, na produção de materiais para o próprio site da CoVida, na atualização de redes sociais e na mediação entre a comunidade científica, jornalistas e público. Atualmente, a Rede conta em seu site com um painel para acompanhamento e previsão de dados, assim como artigos, notícias, além de documentos como notas técnicas e o Boletim CoVida, com informações atualizadas, achados e recomendações sobre o novo Coronavírus.

Glossário de termos técnicos

Colaboração e solidariedade

O primeiro desafio enfrentado pelos profissionais aconteceu no momento de transformar a proposta, uma demanda da sociedade e uma necessidade da comunidade científica, em realidade. Formatar uma atividade que envolve pessoas em diferentes locais, abrindo mão de encontros presenciais, demandou muita parceria e colaboração, como explica Raíza Tourinho. “O tempo da academia é um que não o da comunicação. Assim como o tempo da pandemia. Todos de home office, focados em outras atividades. Então, sou entusiasta de uma rede de colaboração como essa e é bom vê-la tomando forma”, descreve. 

Ana Paula Coelho, integrante do Grupo de Pesquisa em Gênero, Tecnologias Digitais e Cultura (Gig@), atualmente trabalha com as mídias sociais do CoVida e viu no projeto uma oportunidade de colaborar com o cenário de pandemia, mesmo diante da necessidade de isolamento social. “As pessoas precisam de nós, comunicadores, para fazer esse processo de tradução, em um momento que exige agilidade. Está sendo importante usar esse tempo do isolamento, me sentindo mais útil e sabendo que estou ajudando para o trabalho de contenção do vírus”, afirma. 

Luciellen Souza Lima concorda. “A união voluntária de pessoas pode fazer coisas grandes. De alguma forma você está ajudando a amenizar sofrimentos, reduzindo o peso dessa situação por meio da informação. Esse sofrimento tanto pode ser o de milhares de pessoas desconhecidas, como o de alguém próximo, como o seu próprio sofrimento”, reflete.   

Divulgação científica

Apesar do número de profissionais trabalhando com a Comunicação na Rede CoVida — são vinte e sete, a segunda maior equipe da rede — o trabalho de divulgação científica é repleto de desafios. Como convencer a população, que muitas vezes não sabe o que é um vírus, da importância de lavar as mãos? Como distinguir uma informação verdadeira de uma desinformação? 

Adalton dos Anjos Fonseca, integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line da FACOM, compõe o time de Comunicação da CoVida e aposta na parceria com profissionais que estão na linha de frente da produção do conhecimento científico. “O apoio desses profissionais tem sido fundamental na tentativa de traduzir informações técnicas. Esse grupo tem uma linguagem própria, mas já há uma preocupação em levar a informação para o grande público de uma forma palatável”, acredita.

Mariana Alcântara explica que a atividade exige preparo. “Vemos, durante a pandemia, jornalistas que usualmente trabalham em outras editorias fazendo jornalismo científico. Muitas vezes isso acontece sem nenhum tipo de treinamento. Fazer jornalismo científico precisa de preparo, como o conhecimento sobre entrevistar um pesquisador, como interpretar dados. A qualificação da informação é importante para que não haja uma deturpação do conhecimento científico produzido para a sociedade”, defende.

É com esse propósito que Luciellen Souza Lima, doutoranda do PósCom e integrante do GJOL, tem trabalhado, junto com os colegas, na elaboração de um glossário de termos técnicos e de um conjunto de orientações para os profissionais de jornalismo. “O profissional de comunicação entra nesse diálogo com a área da saúde para tentar entender como eles pensam e trabalham, traduzindo essas informações. Nem sempre eles entendem como nós, de comunicação, trabalhamos, assim como nem sempre entendemos como eles trabalham. Mas é um aprendizado conjunto”, acredita. 

A jornalista explica, ainda, como isso pode ser feito diante de necessidades e públicos diversos. “Para gestores, a comunicação adequa a linguagem científica para uma linguagem mais objetiva e direta. Para o público geral, utilizamos a linguagem coloquial, com o uso de formas didáticas como desenhos, vídeos, áudios. Precisamos interagir com essas comunidades para entender as necessidades informativas deles”, afirma.  

Chamada para estagiários voluntários - Para auxiliar nesse trabalho, a Rede CoVida está com chamada aberta para estudantes que desejem se juntar à causa, trabalhando com Comunicação Científica. Os novos participantes atuarão em esquema de home office nas áreas de revisão textual, produção jornalística, produção audiovisual ou design gráfico. 

Conheça mais sobre a Rede.

Roda de conversa "sonoridades do isolamento"

SERVIÇO

O quê: Roda de conversa Sonoridades do Isolamento
Quando: dia 05/06/2020 às 15h
Onde: Ao vivo pelo Zoom e Facebook (sala do zoom aqui)
Mais informações aqui

Roda de Conversa “Inumeráveis: jornalismo e histórias de vidas”

O quê: Roda de Conversa Inumeráveis - jornalismo e histórias de vidas
Quando: dia 10/06, às 15 horas,
Onde: Ao vivo pelo Zoom (link em breve) ou pelo Facebook da FACOM.
Mais informações aqui.

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