Banda de Pífanos de Caruaru
                              O som do mouro-indígena



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No começo dos anos 70  a aparição de duas músicas da Banda de Pífanos de Caruaru na trilha sonora dos filmes "Terra sem Deus "  e "Faustão" marcaram  a incursão deste gênero na indústria fonográfica brasileira. Até então nenhum grupo de pífanos tinha gravado seus  rupestres toques, seja em disco 78 rpm  ou  LP.

Tendo  os irmãos Sebastião e Benedito Biano como arrimo, o  grupo é hoje o mais importante no gênero, com apresentações em importantes festivais na Europa. Para entender a tradição da família Biano,  o navegador viaja  até o ano  de 1924, no sertão alagoano, um ano após da prisão de Antônio Silvino, o cangaceiro mais famoso da época.

Nesta data, um  caboclo chamado Manoel  Clarindo Biano, casado com Dona Maria Pastora da Conceição, cabôca qui nem ele, herdou de seu pai quatro instrumentos: um bombo(tambor afinado a corda.) um prato  e dois pífanos de taboca.

Mais do  que os instrumentos, entretanto, seu Manuel herdava a obrigação de não deixar morrer a tradicional Zabumba Cabaçal,  criada por seu avô,  e que seu pai preservava com  todo o carinho. Tratou logo de ensinar os  antigos toques -muito dos quais aprendidos com os índios- aos filhos Sebastião, de 5 anos, e Benedito,  de 11.  Recrutou depois o amigo  Martinho Grandão pra assumir a caixa e o próprio Manoel se ocupou  do bombo.

Seus toques sincopados, ricos em melodia e de atmosfera pastoril ecoavam pelas   rifas, casórios, novenas, enterros,  missas e o que viesse. A família Biano percorreu quase todo o sertão entre as Alagoas e Pernambuco procurando bons lugares para se instalar. Os instrumentos iam sempre no  lombo de algum animal e paravam em  qualquer arraial que tivesse feira para descolar uns trocos.

Nessa pisada mambembe  foram bater lá na região do agreste pernambucano, em Caruaru,  a capital  do forró  que os consagraria .Chegaram  em 15 de julho de 1939, e foram morar em Contendo, nas proximidades da zona urbana. Por lá continuaram  com seus shows, já sob o  nome  de Zabumba dos Contendo.

O ano de 55 registraria a perda do patriarca Manoel Biano. Em suas últimas horas, pediu aos seus dois filhos que honrassem  a tradição de seus antepassados e se juntassem aos familiares  Luiz, de 9 anos,   Amaro, de 10  anos, (filhos de Sebastião) Gilberto, de 15  anos, e João, de 11 anos (filhos de Benedito) e formassem  uma nova bandinha, prontamente batizada com  o nome de Banda de Pífanos de Caruaru.

Após a saída de Luiz, a banda ficou  assim   formada: 1º  pífano:  Sebastião , 2º  pífano:  Benedito, surdo - Amaro,  tarol- Gilberto pratos -José e bombo  -  João,  este último, de 8  anos, substituindo  Luiz.     mais>>>

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