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A Página dos Cyborgs

Bodynet e Netcyborgs. Novas Tecnologias e Sociabilidade na Cultura Contemporânea

No bifocals or trifocals needed here

Never closing

Never sleeping

Never requiring prosthetics like Oliver People glasses

an eye electronic without myopia or detached retinas

or glaucoma or hardened lenses

Finally liberated from the cosmetology

Of eyelashes and eyebrows

the glint chip eye opens to a 3D world

of artificial life, animated memory, and digital optics

Maybe it needs some artificial tears.(*)

Arthur Kroker

De Cláudia Liz à Michel Jackson, do físico Stephen Hawking à vovó com marcapasso, dos cibernautas da Internet aos deserdados da hemodiálise do Ceará, do corpo marcado por "piercings" e "tatoos" ao piloto que interage pelos olhos com o avião; um mesmo processo está em jogo: a "virtualização" e "cyborgização" da cultura contemporânea. A profusão de equipamentos baseados no princípio da informação, da comunicação e da miniaturização, nos revela, em todos os momentos da vida quotidiana, a técnica onipresente. É essa relação íntima entre o orgânico e o eletrônico que pretendemos analisar aqui, dando ênfase as novas formas de sociabilidades daí emergentes. A simbiose crescente entre "phusis" e "tekhnè" nos coloca em meio à uma "cyborg society", uma sociedade onde o humano e o tecnológico se constróem mutuamente.

O objetivo desse artigo é problematizar o lugar do artificial (tekhnè) e do natural (phusis) (2) na cultura contemporânea, tendo no cyborg um dos "mitos" extremos da cibercultura (3). Buscamos também compreender as novas formas de sociabilidade emergentes no ciberespaço (IRC, MUDs, WWW, Usenet, etc.). Com os cyborgs interpretativos do ciberespaço (os netcyborgs), a Rede transforma-se num grande "workshop" da identidade. Visamos assim, reconhecer a técnica como constitutiva do homem, afim que a ela possa ser reconhecido um lugar na esfera da cultura. Integrada a cultura, e não como sistema autônomo, a técnica poderá ser compreendida em toda a complexidade que requer a contemporaneidade. Deve-se superar a dicotomia entre o artificial e o natural. A cultura, como a natureza, não existem como entidades puras: "to be a subject is to be natural-cultural-technological; to be a social animal is to be techno-social" (4)

Referencias

* Esse artigo faz parte do projeto de pesquisa "A Cibercultura no Brasil. Comunicação e Sociabilidade Contemporânea", em realização no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da Faculdade de Comunicação da UFBA, com o apoio do CNPq.

1. Kroker, A., "Glint Chip Eye"., in http://ctech.concordia.ca/hacking/glint.html.,(06/08/96).

2. Tekhnè é a palavra grega para "técnica", definida como uma habilidade prática. A "tekhnè" é uma "arte", indo desde a habilidade do marceneiro ao médico, até as Belas Artes, essa considerada a atividade mais nobre da "tekhnè". "Phusis" é, por sua vez, a palavra grega que significa "natureza", aquilo que pode se auto-reproduzir, sendo assim auto-poiético.

3. Sobre a Cibercultura ver Lemos, A. "La Cyberculture: Les Nouvelles Technologies et la Société Contemporaine". Thèse de Doctorat, Paris, Paris V, Sorbonne, 1995.

4. Aronowitz, A; Menser, M., "On Cultural Studies, Science, and Technology"., in Aronowitz, A; Menser, M (ed)., "Technoscience and Cyberculture"., NY, Routledge, 1996., p.21.

André Lemos,PhD.

Professor e Pesquisador da Facom/UFBA.

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