Índice

Introdução
O Jornalismo na
Era Digital
O Jornal como Metáfora
Produzindo uma Publicação Digital
O Planejamento
O Design
O Layout
Hipertexto
Multimídia
Animações
Interatividade
O E-mail
Notícias
Personalizadas
Notícias Personalizadas II
A Estrutura
Comercial
Classificados Online
Micropagamentos
O Fim do Jornal Impresso?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


manta@ufba.br
Mande um e-mail !
Design by André Manta
Última atualização:
Outubro de 1997

Notícias Personalizadas (Parte 2)

Segundo os especialistas, apesar de estar ao alcance de qualquer usuário, os programas de Webcasting serão mais utilizados nas grandes empresas que possuem computadores ligados todo o tempo à Internet. Nos Estados Unidos, companhias como a General Electric, Amoco e MCI têm utilizado o Webcasting para manter seus funcionários atualizados sobre os acontecimentos que envolvem a vida corporativa desta empresas. O próprio conceito de atualização permanente das informações se baseia em conexões regulares e constantes; uma situação bem diferente da realidade do internauta comum.

De acordo com Steve Outing, o e-mail em HTML será o padrão dominante na entrega de conteúdo para os usuários domésticos. Segundo ele, quando isto acontecer, os grupos editoriais estarão em uma situação ideal porque já utilizam a linguagem HTML para disponibilizar suas páginas na Web e poderão usar o mesmo formato para empurrar informações para as caixas postais dos seus leitores. Os usuários, por sua vez, não precisarão fazer download nem instalar qualquer software especial já que o seu programa de e-mail será capaz de receber mensagens com recursos de hipertexto e
multimídia
¹.

Para Outing, o correio eletrônico em HTML representa uma das principais tendências para o futuro, mas o e-mail em texto simples continuará a ser, por muito tempo ainda, uma ferramenta poderosa entre os serviços de entrega de conteúdo dos grupos editoriais na Internet.

Vin Crosbie, presidente da Digital Deliverance, consultoria sediada em Boston, Estados Unidos, afirma que as companhias jornalísticas devem procurar o método mais adequado de distribuição de informações. Segundo ele, o correio eletrônico é o canal de entrega certo para a maioria dos grupos editoriais que deseja enviar notícias aos seus leitores. De acordo com Crosbie, o conteúdo mais bem adaptado a ser entregue por e-mail é o "material de uso constante" - colunas, resumos informativos, artigos, etc. Já as reportagens diárias, os noticiários de última hora, as cotações dos preços das ações e outras informações que precisam ser atualizadas constantemente não se adaptam ao sistema de envio por correio eletrônico, mas sim aos programas de Webcasting, que avisam ao usuário quando surge uma notícia importante ².

A difusão destas tecnologias de entrega de conteúdo tem, no entanto, despertado algumas polêmicas entre usuários e profissionais da área de mídias interativas. Os entusiastas afirmam que o push vai redifinir a maneira de interação do usuário com a Internet e destacam a personalização e a redução no tempo gasto para se obter dados atualizados como suas principais vantagens. Já os mais críticos dizem que o push se baseia em um modelo tradicional de transmissão de informações ("de um para muitos") que já havia sido superado com o advento da Internet. Segundo eles, esta tecnologia vai de encontro à natureza descentralizadora da rede e representa uma inversão na maneira como os internautas interagem com ela, colocando-os na condição de receptores passivos da informação.

Toda esta discussão parece evidenciar que o push não é um modismo, como costumam dizer os mais céticos. Trata-se, sim, de uma tendência forte no setor de serviços online que tem feito muitos grupos editoriais fecharem acordos com empresas de desenvolvimento de tecnologias de transmissão de dados via Web. De certa forma, os críticos têm razão ao afirmar que o push representa um retorno a um velho modelo comunicacional, mas ele é apenas mais uma ferramenta a disposição do usuário, entre tantas outras existentes na Internet (World Wide Web, FTP, Gopher, newsgroups, etc). Como os programas de Webcasting e serviços de entrega de conteúdo via e-mail trabalham basicamente com material jornalístico, as pessoas continuarão a navegar na WWW e a utilizar mecanismos de busca (como o Yahoo, Altavista, Cadê, etc) para localizar informações mais específicas, e mesmo que o push venha a ter outras aplicações além do jornalismo, é pouco provável que ele supere a Web.

Outra crítica interessante sobre os serviços de personalização foi colocada por Christopher Harper, professor de jornalismo da Universidade de Nova York, em seu artigo "The Daily Me", publicado na revista eletrônica American Journalism Review (http://www.newslink.org/) ³. Ao analisar o jornal experimental Fishwrap, desenvolvido no MediaLab do MIT, Harper questiona se estes serviços de notícias personalizadas não fariam com que o usuário se distanciasse da realidade, deixando de ter acesso a informações que são importantes (a queda de um avião sem sobreviventes ou um ataque terrorista no país, por exemplo) por não se adequarem ao perfil estabelecido.

A discussão é pertinente, mas Harper parece dar uma importância maior do que a devida à questão. Se uma pessoa opta por assinar um serviço de entrega de conteúdo personalizado é porque quer receber apenas informações que correspondam aos seus interesses. Dizer que, com isso, ela corre o risco de "isolar-se" soa como exagero. Até porque, as notícias mais gerais e os principais acontecimentos no mundo já são veiculados em outros canais de comunicação igualmente eficientes, como a televisão, o rádio e a própria Internet (com sites jornalísticos que são atualizados a todo o instante).

Os serviços de notícias personalizadas (programas de Webcasting e entrega de conteúdo por e-mail) são ferramentas importantes para que os usuários da Internet se mantenham atualizados em relação aos assuntos que mais lhe interessam. Eles tornam mais prático, ágil e econômico o processo de obtenção de material jornalístico na Web a partir de várias fontes de informação, que oferecem uma cobertura mais ampla do que um único site noticioso, por mais completo que ele seja.

O reinado da Web, no entanto, não está ameaçado pois o objetivo dos grupos editoriais em utilizar tecnologias para empurrar conteúdo aos seus leitores é justamente atrair mais tráfego para os seus próprios Web sites. Para isto, são disponibilizados hiperlinks no material enviado aos usuários para que eles possam complementar as notícias recebidas nos seus softwares de Webcasting ou via e-mail com informações adicionais, disponíveis no site.

Estes serviços de entrega de conteúdo personalizado de maneira alguma eliminam a navegação convencional na Web. Os usuários sempre precisarão recorrer a "grande teia" em busca das mais variadas informações e os internautas mais apaixonados dificilmente vão abrir mão do prazer de navegar despreocupadamente de site em site, traçando suas próprias rotas nos caminhos do hipertexto.


¹ OUTING, Steve – "Expandindo os limites da edição na Web". In http://www.uol.com.br/internet/parem/par1301.htm

² Citado por OUTING, Steve – "A corrida para 'empurrar'". In http://www.uol.com.br/internet/parem/par1903.htm

³ HARPER, Christopher – "The Daily Me". In American Journalism Review, Abril, 1997. (http://www.newslink.org/ajrdailyme.html).


Guia do Jornalismo | Bibliografia Online | Jornais na Web | Links Úteis