Índice

Introdução
O Jornalismo na
Era Digital
O Jornal como Metáfora
Produzindo uma Publicação Digital
O Planejamento
O Design
O Layout
Hipertexto
Multimídia
Animações
Interatividade
O E-mail
Notícias
Personalizadas
Notícias Personalizadas II
A Estrutura
Comercial
Classificados Online
Micropagamentos
O Fim do Jornal Impresso?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Última atualização:
Outubro de 1997

Notícias Personalizadas

Uma das grandes vantagens da Internet é a possibilidade de receber informações personalizadas, selecionadas de acordo com os interesses e as preferências de cada leitor em particular. A entrega de conteúdo via e-mail foi a primeira experiência neste sentido ¹. Logo depois, surgiram os serviços de personalização e recorte de notícias na Web, a exemplo do Fishwrap, do Crayon e do NewsTracker ². Recentemente, os grupos editoriais começaram a investir em novos serviços de notícias personalizadas que funcionam através de softwares especiais, capazes de enviar material noticioso atualizado, de várias fontes de informação na Internet, diretamente para o computador do usuário.

Este sistema, conhecido como Webcasting, foi desenvolvido por empresas de informática do Vale do Silício (Califórnia) e inspirado no modelo broadcasting da televisão, no qual um centro emissor distribui informações para vários pontos receptores. Por trás deste sistema está uma nova tecnologia batizada de push, que é usada para empurrar notícias personalizadas aos usuários da Internet, em lugar de esperar que eles visitem os sites na Web para puxar (pull) as informações que precisam. Como isso, o leitor tem acesso a um grande número de reportagens do seu interesse sem nem ao menos precisar navegar entre os sites noticiosos na Web.

O push tem se apresentado como uma das principais tendências no setor de editoração online. Os grupos editoriais na Internet começam a utilizar esta tecnologia em maior escala e basicamente estão atuando em três frentes: e-mail de texto simples, e-mail em HTML e programas especiais de entrega de conteúdo. Estes últimos, no entanto, têm recebido uma atenção maior por parte das companhias jornalíticas devido ao sucesso de empresas de Webcasting, como a Pointcast Network (http://www.pointcast.com), a Marimba Castanet Tuner (http://www.marimba.com) e a BackWeb (http://www.backweb.com).

Os softwares desenvolvidos por estas empresas podem ser obtidos gratuitamente em suas respectivas home pages. O usuário precisa fazer o download do programa, instalá-lo e depois personalizá-lo, selecionando as opções de sua preferência. Depois de instalados, estes programas se conectam automaticamente à rede, quando o computador está inativo (no descanso de tela) ou em horários previamente programados, para buscar o conteúdo especificado pelo usuário. Geralmente as informações são recebidas através de "canais", divididos entre agências de notícias, publicações online e assuntos (cotações da bolsa, esportes, previsão do tempo, viagens, horóscopo, etc). Terminada a tarefa, a conexão é desfeita e o material recebido fica armazenado no computador para ser consultado offline.

A Pointcast Network foi a primeira destas empresa a oferecer este serviço de entrega de conteúdo personalizado através de um software exclusivo. Com quase dois milhões de assinantes, a Pointcast recebe informações da CNN, das agências Reuters e Knight-Ridder, dos jornais New York Times, The Boston Globe e Los Angeles Times, das revistas Time e Wired e de muitas outras fontes na Internet. Seu software utiliza a proteção de tela do computador pessoal como meio de veiculação das notícias e dos anúncios publicitários, que acompanham os textos e as imagens.

Depois da Pointcast, outras empresas lançaram seus serviços de entrega de notícias personalizadas. A Marimba criou o Castanet, um aplicativo que utiliza a linguagem de programação java no envio de informações aos usuários. A Intermind (http://www.intermind.com/) e a BackWeb também entraram na disputa pelo mercado de Webcasting e desenvolveram tecnologias de entrega de conteúdo que são vendidas aos grupos editoriais para que estes criem seus próprios canais de informação e distribuição de notícias ³. Assim como estas empresas, pelo menos uma dúzia de outras companhias lançaram serviços similares na esteira do sucesso da tecnologia push.

Os dois maiores gigantes da Internet, a Microsoft e a Netscape, não ficaram para trás na disputa pelo mercado de transmissão de dados via Web e estão incorporando a tecnologia push às novas versões dos seus browsers. A Microsoft saiu na frente e criou o padrão CDF (Channel Definition Format) para utilização em canais na Internet. O CDF foi aprovado pelo W3C (http://www.w3.org/), instituição que estabelece as novas implementações da Web, e adotado por várias empresas, entre elas a Pointcast.

A Netscape, por sua vez, firmou acordo com a Marimba Castanet para desenvolver um programa de push que é integrado ao Netscape Communicator. O novo produto é o Netcaster, já disponível para download no site da empresa. A estratégia da Netscape é fugir dos padrões impostos pela Microsoft e adotar linguagens amplamente difundidas na rede, como HTML, java e javascript, no envio de noticiário personalizado através dos canais da Marimba.

Estes serviços são, na sua maioria, oferecidos gratuitamente, graças a acordos firmados entre as empresas de Webcasting, os grupos editoriais e os anunciantes. Os grupos editoriais estão apostando na tecnologia push como um meio de atrair mais leitores aos seus sites, a partir de links nas notícias empurradas, enquanto que, para os anunciantes, o Webcasting representa uma modalidade mais efetiva de publicidade via Internet.

Nas home pages, o anúncio publicitário é, em geral, uma pequena imagem de tamanho retangular, conhecida como banner. Nos programas de push, os anúncios são veiculados ao lado das notícias e chamam mais atenção do que os banners nas páginas Web, pois são bem maiores do que estes e possuem animações mais sofisticadas do que as dos pequenos GIFs animados. Além disso, como alguns programas de Webcasting funcionam como protetores de tela, os anúncios tendem a permanecer ativos no monitor do micro por mais tempo que as páginas comuns.

Esta nova modalidade de publicidade permite às empresas identificar com mais exatidão o perfil do usuário a partir das opções escolhidas durante a personalização dos programas de push. Uma agência publicitária pode, por exemplo, colocar um anúncio de uma companhia área em um canal de viagens ou uma propaganda de um banco em um canal de negócios e, assim, ter maiores chances de atingir o seu público alvo.


¹ O Newshound do The San Jose Mercury News (http://www.sjmercury.com) foi um dos pioneiros nesta área. O serviço foi lançado em 1994 e fornece por correio eletrônico notícias e artigos do jornal e de agências noticiosas a partir de um perfil estabelecido pelos seus assinantes. Há pouco tempo o Newshound passou por uma reformulação e ganhou uma interface com a WWW que permite ao usuário escolher entre receber reportagens personalizadas na forma de e-mail ou de uma página pessoal na Web que é atualizada a cada vez que é visitada.

² O Fishwrap (http://www.fishwrap.mit.edu) é um jornal experimental do Laboratório de Mídia do MIT desenvolvido para produzir edições personalizadas para cada usuário, de acordo com as suas preferências. O Crayon (http://crayon.net) – abreviatura de CreAte Your Own Newspaper – é um serviço de personalização que permite ao leitor criar um jornal com links para mais de cem fontes de notícias na Internet, escolhidas pelo próprio internauta. Já o Newstracker (http://nt.excite.com) é o serviço de recorte de notícias da Excite. Ele vasculha os sites de mais de trezentas publicações na Web (jornais, revistas, agências noticiosas, etc) e cataloga todas as matérias existentes, de acordo com os assuntos que mais interessam ao usuário.

³ No Brasil, o ZAZ (http://www.zaz.com.br), serviço online de informação e entretenimento do grupo gaúcho RBS, já disponibiliza canais de Webcasting de publicações digitais nacionais utilizando a tecnologia BackWeb. Entre os canais disponíveis estão os jornais O Globo, Zero Hora e Correio Braziliense, a Agência Estado e a revista IstoÉ.


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