Nascido em Lanus, Argentina, nas proximidades de Buenos Aires, o menino Hector Julio Paride Bernabó, que visitou o Brasil pela primeira vez em 1920, tornou-se mundialmente conhecido como Carybé.

A vida de Carybé

Dez anos depois de sua visita ao Brasil, sua família voltou à terra natal, onde ele ingressou na Escola de Artes Decorativas. Em 1938, enviado por um jornal argentino, travou o primeiro contato com a Bahia, com um projeto ambicioso: fazer uma reportagem com Lampião. Só que ele teve que se contentar em desenhar as cabeças do "rei do cangaço" e seus capangas, já então decapitadas.

Sua família morava no Rio e ele já tinha no currículo trabalhos em publicidade para jornais de lá, de São Paulo e de Buenos Aires, além de ter pintado muitos cartazes de rua. Já se considerava um "branco suspeito", como dizia. Ouvira dizer que sua família (mãe gaúcha, pai italiano) havia uma tia preta que até fumava cachimbo. Sua morenização parecia uma fatalidade.
O jornal fechou, mas Carybé continuou entre os baianos por mais seis meses, "na mais completa miséria", como contou. Apaixonou-se por Salvador, que nunca mais lhe saiu da cabeça. Voltou várias vezes na década de 40, até que resolveu fixar-se definitivamente na cidade.
Com uma carta do escritor Rubem Braga ao então secretário de Educação da Bahia, Anísio Teixeira, em 1950, Carybé arrumou o emprego que pediu a Deus: desenhar cenas baianas. "Foi a sopa no mel. Nunca mais fui embora. A Bahia tem tudo que um pintor procura: luz, água e mar aberto. A gente vê o corpo humano funcionando".

Quando morreu do coração, no dia 1 de Outubro de 1997, durante uma sessão num terreiro de candomblé, em Salvador, ele já era tão baiano quanto um outro estrangeiro, o etnólogo francês Pierre Verger, havia sido em vida. O artista plástico sofria de uma insuficiência respiratória crônica que provocou a parada cardíaca, a qual o matou.