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No espaço anexo à Igreja da Ajuda,
anteriormente ocupado pela Irmandade de São Benedito, acontecem todos os eventos que
marcam os festejos, como a esmola geral que se realiza no sábado anterior à festa. Ela
consiste na arrecadação de donativos por toda a cidade, pois são poucas as pessoas que
se dispõem a responder com quantias significativas às cartas-pedido distribuidas. Nesse
dia a cidade amanheca em festa: é o espoucar de foguetes na alvorada, anunciando que as
negras da Boa Morte estão nas ruas. |
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Na quinta feira todas
comparecem de branco à Igreja Matriz para a solene confissão. Ao voltar do
confessionário, a irmã recém-confessada ao encontrar-se com a que para lá se encaminha
abraça-a e elas desejam-se paz e boa morte num simbolismo a sua condição de liberta,
retratando a alegria de não morrer no cativeiro e o orgulho de sua raça. |
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Apos a procissão todos seguem para a Casa
da Irmandade onde os esperam a ceia branca: coisas do mar acompanhadas de pão e vinho. |
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Fogos, joias, risos. Tudo é alegria. É
domingo, é a Assunção de Maria. Com suas saias negras plissadas deixando aparecer a
barra interna vermelha sobre anáguasbem engomadas, batas brancasbordadas em richelieu por
dentro das saias, toalhinha cobrindo a cabeça amarrado na nuca de uma maneira toda
especial e a beca no ombro ora mostrando o lado vermelho simbolizando a alegria vai a Boa
Morte. O grupo é de uma beleza plástica ao mesmo tempo estonteante e solene: em duas fileiras, tendo a frente as irmãs de bolsa e entre as filas a Juíza Perpétua, a provedora com seu cetro e e procuradora com uma minúscula imagem da santa, ele segue secundado pela Filarmonica Lira Ceciliana até a Matriz, onde é recebido no adro pela Irmandade do Nosso Senhor Bom Jesus da Paciência que conduz o cortejo até o altar-mor onde é colocada a pequena imagem. Então é celebrada a missa revestida de toda a pompa. |
| Apos a missa, dá-se
a entrega dos cargos pelas componentes da Mesa e em seguida sai a procissão, tendo a
frente a Irmandade da Paciência e os celebrantes. As irmãs, obedescendo a mesma
formação anterior, conduzem o andor de Nossa Senhora da Glória. Após a procissão, sem
os celebrantes, mas obedecendo a mesma formação, rumam todos para a Casa da Irmandade,
onde a provedora já os espera com a mesa recoberta de pétalas de flores brancas, arroz
cru e incenso. Após essa obrigação, as filarmônicas entoam hinos e dobrados sequenciados por valsas dançadas pelas irmãs. Já despojadas de seus trajes, utilizando a roupa de raparigas tem inicio a distribuição de uma suculenta feijoada e do famoso sarapatel. Tudo acompanhado por muito samba-de-roda do lado de fora da casa. No dia seguinte, segunda-feira gorda, dá-se a distribuição de um cozido também acompanhado de muito samba que se estende até a madrugada de terça feira. Nesse dia o azeite-de-dendê se faz presente atravez do caruru e da moqueca de peixe servidos com muito arroz doce. terminado o samba, as irmãs esperam que o último convidado se despeça para, a portas fechadas, darem início a um samba-de-roda exclusivo que só termina ao raiar de quarta-feira, quando se encerra a festa |
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