O AVANÇO DAS TÉCNICAS
Os maori, antigos habitantes da Nova Zelândia e descendentes diretos dos polinésios, criaram uma tatuagem que fazia sulcos em espirais no rosto, o moko. Não se sabe ao certo qual era a finalidade. Protege-los contra tribos rivais, já que viviam permanentemente em guerra ou como o ying e yang, representar as forças geradoras da energia vital. O fato é que as aplicações eram tão doloridas que podiam até matar.
Da antiguidade ao mundo contemporâneo, a técnica da tatuagem evoluiu a olhos vistos. A dor lancinante de épocas remotas foi totalmente minimizada, com o uso da máquina elétrica que realiza de 3000 a 4000 perfurações por minuto.
O primeiro passo rumo a modernidade foi dado em 1880 pelo americano Samuel F. O’Reilly. Ele inventou algo semelhante a uma máquina de costura, que injetava tinta na pele através de agulhas de metal, banhadas em nanquim. O protótipo da engenhoca foi patenteado como “instrumento de perfuração “, 11 anos mais tarde.
Na década de 20, surgiria a versão portátil, já bastante parecida com a máquina utilizada em milhares de estúdios de todo o mundo.
A tinta pode ser natural ou sintética, diluída em álcool isopropílico e anti-séptico bucal. Ou ainda, em álcool, água destilada e pomada de cânfora. A proporção em que estes ingredientes estão misturados é um segredo profissional impenetrável.
Os mais tradicionalistas ainda mantêm vivos os métodos seculares usados pelos nativos. A técnica mais primitiva consiste em furar a pele com varetas pontudas feitas de madeira, metal, ossos, dentes, bambu ou pedra. Para colorir, as varetas são molhadas em pigmentos naturais extraídos de plantas, animais ou minérios. Essa forma de tatuar ainda pode ser observada em algumas regiões do Japão e da Polinésia. Lá profissionais, tatuam os clientes, ao ar livre, negligenciando os perigos de contaminação.
Na África, as escarificações são mais comuns do que as tatuagens propriamente ditas. Tirando partido do caráter quelóidiano da pele negra, as tribos fazem inscrições no corpo com lâminas afiadas, sem a inserção de corantes. “Os desenhos superficiais ou de uma arte muito elaborada, da qual o Congo Central mostra exemplos harmoniosos, podem limitar-se a alguns traços ou constituir conjuntos cuja aparência geométrica é o resultado de uma estilização extremada”- diz M. Leiris e J. Delange, no livro Africa Negra, la creación plástica. Para os autores, as tatuagens e as escarificações foram proibidas, como prejudiciais para a unidade nacional, pelo governo da Costa do Marfim, por demonstrarem claramente a grande preocupação a que respondem, “classificar o sujeito em uma categoria étnica e social determinada".