CANECAS DE LOUÇA, DE FESTIVAIS DE CHOPP, SÃO ALVO DE COLECIONADORES

Tatiany Carvalho

De tamanhos e formatos variados, coloridas ou monocromáticas, lisas ou em alto relevo, elas conquistaram o coração do já aposentado José Carlos, 55 anos. Desde novembro do ano passado, este simpático senhor retomou um antigo hobby de sua adolescência: colecionar canecas de louça, novas ou antigas, de festivais de chopp.

No início da juventude, eram cerca de 30 canecas. Desde pequeno, corria na veia deste homem sangue de colecionador: flâmulas, moedas, e inclusive chaveiros, já foram alvos dessa paixão. Com o passar do tempo, vieram os filhos e novas responsabilidades, provocando uma mudança na postura de José: de colecionador, assume o papel de chefe de família.

Filhos crescidos, tarefa quase cumprida. Em decorrência da maior disponibilidade de tempo, José Carlos acaba cedendo, novamente, aos encantos da arte de colecionar. Dessa vez, engraça-se com o charme das latinhas de cerveja - atualmente grande alvo dos colecionadores: quem nunca viu, em algum bar residencial, aquelas latas de cerveja empilhadas, dando-nos a impressão de que vão cair por cima de nossas cabeças? Se bem que, apesar da beleza incomum, as latinhas logo foram trocadas pelo requinte das canecas de chopp.

Isso mesmo! Agora as protagonistas são mesmo as dita cujas. O por quê da troca? "As canecas são mais baratas, mais fáceis de adquirir e mais interessntes do que as latinhas", explica João Carlos. Durante esses sete meses, ele já conseguiu reunir cerca de 500 unidades. Contudo, os louros do sucesso não são apenas dele: nessa caminhada, conta com a colaboração de duas amigas - D. Maria Luiza, 82 anos, e D. Wanda Bezerra, 71. Cabe às duas aposentadas recolher, entre amigos e parentes, aquelas canecas que já não são vistas com bons olhos. ''Geralmente, elas são tidas como entulho dentro de casa", afirma D. Wanda.

Além de colaborações, a outra parte das peças colecionadas foi obtida da maneira mais tradicional possível: através da compra. Foi anunciando nos jornais, duas vezes ao mês, durante quatro dias na semana, que ele conseguiu montar a coleção. "Periperi foi o lugar mais longe onde fui buscar as canecas. Na ocasião, negociei 127 delas", festeja sorridente. "Se preciso for, vou a qualquer lugar da cidade", acrescenta em tom categórico. Comprando a R$ 3,00 cada caneca, sem dúvida se trata de um bom negócio, ou melhor, bom investimento.