Zé Ramalho
a poesia trovejante do sertão nordestino



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

              Profeta do Apocalypse

No terceiro LP, "A Terceira Lâmina"  lançado em 81, Zé Ramalho já estabelecido com a esposa e filhos em Fortaleza onde reúne cantadores de todo Nordeste para celebbrar a cultura desse menestréis do Sertão.

No "Terceira Lâmina", ele consegue aprofundar a idéia de apocalipse  que domina os repentistas, ampliando-a para uma perspectiva mundial. Popular e erudito, Zé Ramalho consegue participações de luxo como a da  soprano Mária Lúcia Godoy. Zé Ramalho escolheu canções que falassem da liberdade do homem e de criação. É o caso de Filhos de Cancêr , uma parceria com o cantor e compositor cearense Fagner, dedicada aos praticantes de asa delta: "Desamarrem os laços/ façacm coisas pela liberdade/"; o mesmo tipo de apelo poético se repete em O Pequeno Xote:  "Toda pessoa merece felicidade...".

A faixa-título do LP abriu uma polêmica na época por causa da visão de certo modo alarmista do autor sobre a possibilidade da explosão de uma Terceira Guerra Mundial.  A contracapa de "A Terceira Lâmina", retrata uma explosão atômica  e na capa, Zé Ramalho num gesto de oração dar a impressão que pede ppara que isso não aconteça. Na letra,  Zé Ramalho manda seu recado místico-profético: "E virá como guerra/ a terceira mensagem/ na cabeça do homem/ aflição e coragem".

No ano seguinte com três álbuns que venderam em média mais de 150 mil cópias, lhe proporcionando três Discos de Ouro, Zé Ramalho aborda no álbum "Força Verde, lançado em 82 vários temas e é ilustrado com diversas gravuras do final do século XIX. Fazendo um disco com base nos ritmos nordestinos, o artista cercou-se de cordas e metais , incluindo am algumas faixas até o Coral de Joab nos vocais e contou com a colaboração do maestro Waltel Branco.

A faixa-título do LP é um lamento que foi regravado com distorção eletrônica da sua voz o que o distancia da versão original gravada por Fagner. O baião Banquete dos Signos traz o duo vocal com a cantora Marinês com o fundo de cordas, 12 violinos, quatro violas e cellos. A maioria das canções tem letras de tom narrativo com imagens caleidoscópicas e profusão de citações, como em  Visões de Zé Limeira sobre o final do século XX onde retoma contato com a imagem do seu ídolo, o falecido violeiro paraibano Zé Limeira: figura mítica no Nordeste. O LP ainda tem a mediaval Cristais do Tempo pontuada por um fagote. Ao mesmo tempo Zé Ramalho se dedica às suas atividades como escritor.

Cansado das turnês, Zé Ramalho resolve fazer um novo álbum no ano seguinte, mas não excurciona. Tranca-se no Rio de Janeiro e faz um disco bem elaborado, com mais disponibilidade de tempo. O álbum conceitual "Orquídea Negra" abre um novo ciclo na vida do artista e traz renovadas parcerias através de participação especiais: A Cor do Som, Trio Dodô,Osmar e Armandinho, Maria Lúcia Godoy, Egbberto Gismonte, Fagner, Robertinho do Recife, Alceu Valença  e Capinam. Baseado na caracter''istica do seu som paraibano, mediaval e mourisco, Zé Ramalho atua como um prestidigitador, desnorteando os padrões do "establishment" cultural tupiniquim.

A faixa-título é um dos destaques do álbum, revelando em tom épico e grandiloquente a visão cataclísmica de Jorge Mautner: "Você é a orquídea negra/ que brotou na máquina selvagem/ e o anjjo do impossível/ plantou como nova paisagem". A participação do TRio Dodô, Osmar e Armandinho e suas guitarras baianas no repente Dominó é uma bela fusão estética. A letra de Zé Ramalho faz um jogo de imagens instigante: "Pegue o destino e bote perto da viagem/ e a viagem bote perto do destino// o sacristão bote pertinho  do sino/ e o símbolo na ponte da miragem". No final, o álbum fecha de forma triunfal com a composição  O Xote dos Poetas feita com o poeta baiano Capinam e com trechos em espanhol: "A las cinco em punto  de la tarde/ la seis grandes bascas/ em siete estrelas tornaram/ ocho novias brasieliñas/ nueva puñales, diez  varandas/ sangre nel mural de la tarde/ la palabra libertad".

    Cocaína, Decadência e Ostracismo

No ano seguinte, lança o álbum "Pra não dizer que eu não falei de rock ou...por aquelas que foram bem amadas ou..." que já reflete um refluxo criativo do cantor e compositor, tendo ele se perdido em canções de formato pop rock sem maior expressão. As mulheres servem de tema como Mulheres, parceria com o cantor e compositor carioca Jards Macalé,  que conta com as participações de Wabderléia e Zezé Mota. Ele aproveita para gravar Jacarepaguá Blues e outras canções mais ligados à essência rock, como em Made in PB, Frágil e Bejo do Cruz.  Ele ainda fraz uma versão da música dos The Beatles, Fool on the hill com a presença de Erasmo Carlos dividindo os vocais.

A crise criativa refletia o fim do casamento com Amelhinha e a volta para o Rio de Janeiro, depois de ter abandonado, em 84, Fortaleza. Ele começa, no ano seguinte, um novo relacionamento a economista Roberta Fontenele , 15 anos mais nova. Em 85, ele lança o LP "De gosto de água e de amigos". faixa-título, uma balada com letra do parceiro de velhos tempos, O  pernambucano Lula Cortes, enfatiza a busca de Zé Ramalho por um novo "porto seguro"existencial: Na da tem o gosto/ do que numca acaba/ é como beber água/ na casa de amigos/ é como se abrigar/ dos ventos/ e dos perigos/ é...como se sentir/ no chão/e bem guardado...". 

Em 96, puxado pela cantiga Mere-Mere mar, Zé Ramalho lança, em 96, LP "Opus Visionário" que já reflete a crise criativa causada, em parte, por conta do abuso do uso de cocaína que o artista usou nos anos 80.  Em 87, Zé Ramalho lança "Décimas de um cantador" e refaz seu viés poético com versos de repentes e emboladores típicos do Nordeste. Terminado o contrato com a multinacional CBS  é dispensado pela baixa vendagesn dos seus últimos três álbuns.

Depois de iniciar um tratamento caseiro com ajuda da esposa  para se livrar do vício da cocaína, Zé Ramalho é chamado pela Sony Music para gravar, inicialmente, um álbum com composições de domínio público e de cantadores tadicionais do sertão nordestino.
No mesmo ano, em 92, ainda pela Sony Music, o álbum "Frevoador" que retoma um formato que indica uma retomada de seu trabalho mais fincado na mais pura tradição nordestina.
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