Letras
          
Zé Ramalho



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Jardim das Acácias
   Zé Ramalho - do LP "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu"

                           I

Nada vejo por essa cidade
Que não passe de um lugar comum
Mas o solo é de felicidade
No jardim dos animais em jejum
Esperando alvorecer de novo
Esperando anoitecer prá ver
A clareza da oitava estrela
Esperando a madrugada vir
E eu não posso com a mão retê-la
E eu não passo de um rapaz comum
Como e corro, trafego na rua
Fui graveto no bico de anum
Vez em quando sou  dragão  da lua
Momentâneo alienígena
A formiga em viva carne crua
Perecendo e naufragando no mar

 

                        II

A papoula da terra do fogo
Sanguessuga sedenta de calor
Desemboco o canto nesse jogo
Como a obra se contorce de dor
Renegando a obra da família
Venerando todo ser criador  
No avesso  de um  espelho claro
No  chicote da barriga do  boi
No mugido de uma vaca mansa
Foragido como Judas em paz
A pessoa que você mais ama
No planeta vendo o mundo girar

 


 

   Monte Olímpia
                 Zé Ramalho - do LP "Força Verde"

Vou subir no  monte/ no Monte Olímpia
A morada dos deuses/ a morada dos loucos 
Das pessoas que embarcam todo dia para um escaler
Perdidos escombros dos ossos de quem quizer.

Vou subir no monte/ num automóvel de luz
Num navio vicking/ no cavalo  de Zorro
Na espessura de um couro esticado de um tamborim 
Chegando no trono de Zeus / eu digo o  que quiser 

Eu  passo um  telegrama para mamãe
Pedindo desculpas
Por minha culpa /  minha culpa/ minha máxima culpa
Minerva agora é minha Mãe
Mercúrio é meu  primo
E  tenho Hércules e Aquiles como  meus  irmãos
Mercúrio é meu primo 
E  tenho Hércules e Aquiles como meus irmãos

 


 

Visões de Zé Limeira sobre o final do século XX
                                         Zé Ramalho - do LP "Força Verde"

Vejo discos de metal
Pairando pelas noites do país
Minhas loucas conclusões nada dizem
Residem nos cabelos de Sansão
Ah, deuses--astronautas me ajudem
A conseguir/ o meu Velo de Mercúrio

A imagem milenar
Dos grandes dinossauros  que domei
Uma espaçonave é a sua residência
Uma espaçonave é a tua residência
Paciente mas o éter me chamou
Ah sou um panteísta sufocado
Pelas canções/ do Acetato de Mercúrio

E os terráqueos conseguiram
Finalmente conquistar
Sua terra mais garrida
Borboletas de acrílico
Puseram suas asas
Num cabide esquisito
Gerou conflito entre as geraçõs febris

Era um porco-chovinista
Procurado pelo Karma
De lançar outro vapor
Cogulemos nucleares
Que iluminam as campinas
Do planeta abissal
No carnaval dos seres brancos e azuis
No carnaval dos seres brancos e azuis

Foi eleito um Faraó
E lonngos catacumbas perfurei
Pelas plaianas do sertão quase quente
Correntes de platina separou
As águas do oceano encantado
Que Deus criou/ pelas Algas de Mercúrio

O meu Velo de Mercúrio
O Acetato de Mercúrio

Pelas Algas de Mercúrio