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Clementino Rodrigues, seu
nome de batismo. "Riachão", seu nome nome de samba e
de guerra. Maior sambista vivo desta terra baiana e um dos maiores vivos
do Brasil, ao lado de
Nelson Sargento, Ivone Lara e mais alguns outros da velha guarda, o
tempo já o consagrou parte
da história da música nordestina, em
sua essência negra da Bahia. Pela sua verve pitoresca na forma
de compor, retratando fatos
e ocorridos nas ruas de sua cidade
natal, se consagrou como conista musical da antiga Salvador.
Nasceu na Língua de Vaca, no
bairro do Gracia, em Salvador,
a 14 de novembro de 1921 e
até hoje mora no mesmo
bairro. De lá sai a troça carnavalesca "Mudança do Garcia",
a agremiação carnavalesca
mais sarcástica da cidade com letras de conteúdo
social e político. Cunharam
até um termo para
definir a bajulação dos tropicalistas ao governo do estado: "tropicarlismo".
Neste ambiente, de rodas de samba e capoeira foi
criado o autor de pérolas como a "Ousado é Mosquito" .
O apelido de "Riachão",
ele disse ao extinto Jornal Diário de Notícias que o ganhou na infância.
"Quando menino eu
gostava muito de brincar . Mal acabava uma peleja, já estava eu
disputando outra. E aí chegava os mais velhos para desapartar
epregando aquelo velho ditado popular: - Você é algum riachão que não
se possa atravessar?", disse. Hoje, casado com
Maria Eulália, há 44 anos, tem 10 filhos vive uma vida
tranquila. NO momento, aguarda
o lançamento do novo álbum que vai ser gravado a partir de janeiro do
próximo ano, numa iniciativa do produtor Paquito.
Sambista atrevido desde a juventude
Nascido e criado no Garcia, Riachão
desde os 9 anos já cantava nas serentas, nos aniversários ou nas
batucadas com os amigos do bairro. Batucava em latas de água onde
tamborilava seus sambas. A primeira
composição veio aos 12 anos, um samba sem título que dizia: "Eu
sei que sou moleque, eu sei, conheço o meu proceder/ Deixe o dia raiar
que a minha turma, ela é boa para batucar".
Em 44, consegue entrar para a Rádio
Sociedade onde cantou como trio vocal no programa de auditório da
emissora de rádio Sociedade AM, "Show Pindorama", um programa
do radialista Motta Neto. Ele e seu trio interpretavam até algumas
musicas sertanejas, como Valsa
Sertaneja, Canta Passarinho e Beijo
Molhado. Depois, o
radialista que descobriu o sambista Batatinha, Antônio Maria, o lança
com a música Vida da Semana. Começa
a ganhar razoavelmente para os padrões da época.
A princípio, Riachão cantava em
trio, depois passa a cantar em dupla e, finalmente, canta sozinho. Aí
decide de vez só se dedicar ao samba sob inspiração de Dorival Caymmi.
Após Caymmi, foi o primeiro compositor baiano a gravar no Rio de
Janeiro ainda na década de 50. As músicas foram Meu
patrão, Saia e Judas Traidor,
gravadas por Jackson do Pandeiro (link interno 1). Riachão vivia num
ambiente muito rico culturalmente em Salvador, convivendo com sambistas
como Zé Pretinho e Batatinha.
Riachão segue o caminho artístico
do sambista irreverente, compondo sambas como Retrato da Bahia, Bochechuda e Papuda,
ganhando o "Troféu Gonzaga" com essas músicas. Mais
tarde, o cantor Eraldo Oliveira gravou A
nega que não quer nada e a cantora Maria Inês interpretou Terra Santa. Outras músicas de Riachão foram gravados por outros
nomes do samba e da música popular brasileira , como Vamos pular, gente e Vá
mamar em outro lugar.
O "Umbigão da Baleia"
Irreverente, Riachão possue uma
maneira peculiar de apresentar as notícias através do samba, pois todo
fato relevante da cidade. Riachão transformou em crônicas ao ritmo do
genuíno samba baiano numa linguagem direta e de alcance popular. Entre
48 e 59, ele compôs músicas como A
morte do motorista na Praça da Sé, A Tartaruga, A Onça Peteleca,
Chegou Pinguim, Visita da Rainha Elisabeth e
Incêdio do Mercado Modelo. Um
dos fatos mais inusitados aconteceu no início da década de
60 quando uma baleia morta chamada de "Moby Dick"
veio ser exposta para visitação pública na Praça da Sé.
Daí ele, em fez o samba Umbigada
da Baleia.
Outra sacada do cronista urbano Riachão foi A
Tartaruga que relata o caso chegada de uma enorme tartaruga que
nadou da América do Norte e veio boiar nas águias das praias de
Salvador. O senso quase jornalístico com tom poético bem humorado de
Riachão, também, pode ser encontrado no samba A morte do alfaiate.
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