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Patativa grava seu canto em
disco
A
estréia do vate cearense em vinil se deu no ano de 1979, quando gravou o
LP "Poemas e Canções", lançado pela CBS . As gravações
foram realizadas em recital no Teatro
José de Alencar, em
Fortaleza. Cantando para seu povo brincou poeticamente com o fato
de estar sendo gravado em disco
na abertura A
dor Gravada:
"Gravador
que está gravando
Aqui no
nosso ambiente
Tu gravas a minha voz,
O meu verso
e o meu repente
Mas gravador tu não gravas
A dor que meu peito sente".
O
recital fez parte de uma revisão cultural que a nova classe intelectual ligada á
musica e ao cinema faz sobre o obra dos grandes poetas populares
cearenses como Cego
Oliveira, Ascenso Ferreira e o próprio Patativa.
Artistas como Fagner
, o cineasta Rosemberg Cariri e outros, se encarregaram de
produzir em vídeo e película
documentários com finalidade
de registrar ar um pouco
da cultura em seu molde mais genuíno.
Do
mesmo disco é a destemida Senhor Doutor, que em pleno governo do general Ernesto Geisel falava
em baixos salários numa posição de afronta em relação à situação da elite,
representada pela figura do doutor. Assim vocifera o
bardo do Assaré, com seu
ressonante gogó:
"Sinhô
Dotô não se enfade
Vá guardando essa
verdade
E pode crê, sou aquele operário
Que ganha um pobre salário
Que não dá para comer."
Após
a gravação
do primeiro LP o recitador , fez uma série de shows com seu discípulo Fagner
. Em 81 a apresentação
da dupla no Festival de Verão do Guarujá ganha ampla repercussão
na imprensa. Nesta mesma ocasião gravou
seu segundo LP "A Terra é Naturá", também pela CBS.
Patativa sempre cantou as saudades
da sua terra, embora não tenha deixado o seu Cariri no último
pau-de-arara, como diz a letra. Seu lamento arrastado e monocórdico acalanta os que se retiraram
e serve de ombro aos que ficam.
.
A toada-aboio "Vaca Estrela e Boi Fubá" que narra a saudade
da terra natal e do gado foi o sucesso do disco em versão
gravada por Fagner no LP "Raimundo Fagner", de 1980.
"Eu
sou filho do
Nordeste, não nego o meu
naturá
Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o
meu gadinnho, num
é bom nem imaginar
Minha linda Vaca
Estrela e o meu
belo Boi Fubá.
Quando era de tardezinha eu
começava a aboiar".
Outro
ponto alto
do disco "A Terra é Naturá" que foi lançado em CD
pela 97 é a poesia Antônio Conselheiro que narra a saga do messiânico desde os dias
iniciais em Quixeramobim, no Ceará
até o combate final no
Arraial de Belo Monte, na
Fazenda Canudos, em 1897.
Patativa, como muitos dos cantadores, registram na memória as histórias
que boiam no leito da tradição oral, contadas aqui e ali, reproduzidas
pelos violeiros e pelos
cordéis.
"A
Terra é Naturá" foi produzido por
Fagner , tendo o cineasta Rosemberg Cariri entrado
como assistente de
produção artística. O acompanhamento
é feito por Manassés,
músico especialista em violas
que se revelou juntamente com o
Pessoal do Ceará, e pelo violonista Nonato Luiz,
violonista de mão cheia. A presença do
rabequeiro Cego Oliveira, fazendo o introdutório das
músicas ajuda a
consolidar a reputação de indispensável ao LP.
O
lirismo dos versos de Mãe Preta,
poema dedicado à sua mãe de criação cuja morte é narrada em
versos contundentes e simplórios ao mesmo
tempo, apresenta uma densidade
poética que só os que cantam com pureza d'alma atingem.
"
Mamãe, com muito carinho, chorando um
beijo me deu
E me disse : meu filhinho, sua
Mãe Preta morreu.
E outras coisa me dizendo,
senti meu corpo tremendo,
Me considerei um réu.
Perdi da vida o prazer,
Com vontade de morrer pra
ver Mãe Preta no céu"
Depois
deste disco Patativa voltou para o seu roçado na Serra de Santana, em Assaré.
De
lá saia esporadicamente para alguns recitais mas
é no seu pé-de-serra,
que recebe a inspiração poética.
Em
9 de março de 1994 o poeta
completou 85 verões e foi
homenageado com o LP
"Patativa do Assaré - 85
Anos de Poesia", sendo este seu mais recente lançamento, com
participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e
Geraldo Amâncio e Otacílio Batista
e Oliveira de Panelas. Como narrador do progresso nos meios de comunicação
expôs em Presente
Disagradável suas convicções autênticas, sobre o
aparelho de televisão:
"Toda
vez que eu ligo ele
No chafurdo das novela
Vejo logo os papo é feio
Vejo o maior tumaré
Com a briga das mulhé
Querendo os marido alheio
Do que adianta ter fama?
Ter curso de Faculdade?
Mode apresentar programa
Com tanta imoralidade !"
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