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O paraibano Jackson do Pandeiro foi o maior ritmista da história
da música popular brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, o responsável
pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino.
Pelas cinco gravadoras que passou em 54 anos de carreira artística estão
registrados sucessos como Meu
enxoval, 17 na corrente, Coco
do Norte, O velho gagá, Vou ter um troço, Sebastiana, O canto da Ema e
Chiclete com Banana.
A história da sua carreira artística reforça a herança da
influência negra na música nordestina - via cocos originários de
Alagoas - que lhe permitiram sempre com o auxílio luxuoso de um
pandeiro na mão se adaptar aos sincopados sambas cariocas e à música
de carnaval em geral.
Dono de um recurso vocal único, ele conseguia dividir seus
vocais como nenhum outro cantor na música popular brasileira. Seu maior
mérito foi de ter levado toda riqueza dos cantadores de feira livre do
Nordeste para o rádio e televisão, enfim para a indústria cultural.
Grandes nomes da MPB lhe devotam admiração e já gravaram seus
sucessos depois que o Tropicalismo decretou não ser pecado gostar do
passado da música brasileira, principalmente, a de raiz nordestina.
O intérprete de uma música brasileira feita para dançar
criou um estilo único de cantar. Nascido em Alagoa Grande, Paraíba,
31/08/19, numa família de artistas populares. Sua mãe, Flora Mourão,
era cantora e folclorista de Pastoril e o batizou como José Gomes Filho
o apelidou de Jack pelo sua semelhança física com um ator
norte-americano de filmes de western
dos anos 30, Jack Perry.
O Tocador de Pandeiro
Começou na verdade, tocando zabumba, para acompanhar a mãe,
mas fazia sucesso na região com o instrumento que marcaria sua trajetória:
o pandeiro. Com ele, viajou em busca do sucesso. Passou por Campina
Grande e João Pessoa onde adotou o pseudômino de “Zé Jack”. Sua
busca pelo sucesso o leva a capital pernambucana.
Decide se tornar músico quando ouviu A Jardineira (Benedita Lacerda e
Humberto Porto). Trabalhando numa padaria forma uma dupla de
brincadeira com José Lacerda, irmão mais velho de Genival Lacerda.
No início da década de 50, ainda em Recife, começa a se
apresentar na Rádio Jornal do Comércio onde, por recomendação de um
diretor da emissora, adota o nome artístico de Zé do Pandeiro. Tendo chamado a atenção da direção da emissora consegue
gravar seu primeiro compacto de 78 rpm.
Era o xote Sebastiana
que já demonstrava que além de ser o rei do ritmo, Jackson do
Pandeiro, iria buscar inovações estéticas dentro da música
nordestina. Ele já arriscava nas suas improvisações de vocalizações
com tempo variado dentro de uma mesma música.
Torna-se depois de alguns compactos, um verdadeiro sucesso no
Nordeste e Norte do país. Os ecos do seu sucesso já começava a chegar
no Rio de Janeiro. O xote Forró
no Limoeiro foi um sucesso estrondoso e Jackson impunha-se cada vez
mais como um artista popular que se pautou pela ousadia numa época de
poucos improvisos tupiniquins, vindo a se tornar referência para
artistas oriundos da classe popular quanto da classe média brasileira.
No Recife, conhece sua futura esposa, Almira Castilho, uma
ex-professora que cantava mambo e dançava rumba Dessa época consegue gravar pela gravadora pernambucana
"Mocambo" seu primeiro sucesso: o xaxado Sebastiana de autoria do pernambucano Rosil Cavalcanti.
Jackson e Almira formavam a dupla
perfeita. Desde o início se preocupavam com o visual e com as
performances de palco. Ela, sensual com um belo jogo de cintura e ele,
com toda musicalidade explosão de ritmos e uma voz
especial. Almira teve um papel fundamental na vida de Jackson, pois
o ensinou a escrever seu nome e o estimulou a expandir sua música além
das divisas da Paraíba.
Esta paixão avassaladora os unir e os levou, em 54, ao Rio
de Janeiro. A união em casa e no palco durou até o ano de 1967 quando
se desfez a dupla e o casamento. A trajetória de Jackson de Pandeiro não
registra números de vendagens significativos, nenhuma aventura pelo
exterior e muito menos o charme que cerca os ídolos da música popular
brasileira.
Antes de mais nada, Jackson do Pandeiro pode bancar a vinda
ao Rio de Janeiro com o dinheiro obtido com o compacto do rojão Forró
no Limoeiro. Ele queria
conhecer os jornalistas que escreviam sobre sua música nos jornais
cariocas. Conheceu a maioria deles.
Faz ainda algumas apresentações em São Paulo, em boates e em
programas de auditório de rádio e tv.
Convidado pelo empresário Vitorio Lattari ele grava alguns
compactos. O público sulista se apaixona, então, pela embolada Um
a um. Retorna a João
Pessoa e grava O xote de
Copacabana uma homenagem à Cidade-Maravilhosa que o fascinou.
Casa-se em outubro de 54, em João Pessoa, com sua parceira.
Devido a aceitação do público e crítica na
sua primeira ida ao Rio de
Janeiro, decide, em 55, se mudar definitivamente com a esposa Almira. Se
apresenta nas emissoras de rádio, Tupi e Mayrink Veiga,
e é contrato pela Rádio Nacional. A partir daí, Jackson do
pandeiro começa a transformar o rumo da música nordestina, freqüentando
assim como Luiz Gonzaga, o eixo central da
indústria cultural do país.
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