Dodô & Osmar
             os inventores do trio elétrico



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Homenagens e morte do parceiro Dodô

O destino não permitiu a Dodô ver frutificar em todo país e até além da fronteira do Brasil. Em 15 de junho de 78, ele morreu e deixou só o seu parceiro Osmar que desde 38 faziam música juntos. Artesão por excelência, ele fabricou todas a maioria das guitarras baianas existentes na Bahia até o final dos anos 70. Sua habilidade como luthier era de intensa criatividade. Quando Osmar teve necessidade de tocar vilão tenor e guitarra baiana, ele confeccionou, em 48, um instrumento de dois braços. A pedido de Armandinho, ele, também, construiu uma guitarra-cavaquinho a qual foi dada o nome de "Dodô e Osmar". por ser o instrumento da dupla.

Apesar da morte de um dos fundadores do trio elétrico, o resto da banda sabia que o show tinha que continuar e não param muito tempo para pensar. A linha artística do trio "Dodô e Osmar" tem continuidade no LP seguinte chamado "Ligação" que já ostenta uma preocupação de introduzir novas parceiras com compositores como os poetas Chacal e Fausto Nilo. Músicas instrumentais, O Menino do Trio (Armandinho), De irmão para irmão (Armandinho e Betinho) e Frevo Dobrado número 4 (Aroldo), uma invenção do autor que mistura frevo com marcha-rancho. Novamente, Gilberto Gil engrandece o trabalho de Dodô & Osmar com Atrás do Trio.  A primeira incursão internacional do trio elétrico Dodô e Osmar acontece de forma  indireta com a participação, em julho de 78, de Aroldo, André e Armandinho na apresentação da banda A Cor do Som, na noite brasileira do Festival de Jazz de Montreux na Suíça. Lá encantam o público gringo e brasileiros presentes com a música dos Beatles, Eleanor Rigby, em ritmo de frevo trioletrizado.

                      Surge a marca
           "Armandinho, Dodo & Osmar"

Em 80, eles resolveram entrar na nova década lançando um novo álbum "Viva Dodô & Osmar" e se intitulando,  a partir daí como "Armandinho, Dodô e Osmar". A mudança do nome da banda ocorreu em decorrência da projeção que o guitarrista já tinha alcançado em nível nacional devido ao trio elétrico e ao grupo "A Cor do Som" que ele, também, participou entre 77 e 82. Eles conseguem incorporar, em definito, em 79, no álbum "Viva Dodô e Osmar" a sonoridade afro de Salvador para o repertório da banda, antes bastante calcado no compasso binário do frevo.

Neste LP, ressalta-se  a composição de Caetano Veloso, Beleza Pura, trazia uma ambiência afro com forte acento percussivo e, pela primeira vez,  vocais de Armandinho. A letra exalta a beleza da beleza negra e blocos afros como o Badauê e Ilê Ayê.  Outro ponto forte do LP é a faixa Bloco do Prazer, uma composição de Moraes e Fausto Nilo. A guitarra havaiana é tocada com maestria por Osmar na sua composição Manifesta. O clássico carnavalesco Colombina é regravado em ritmo de marchinha em arranjo trioletrizado.

Homenageando o músico Waldir Azevedo no álbum seguinte, "Vassourinha elétrica" que marca a entrada da banda na gravadora Warner. O compositor que foi muito importante na formação musical de Dodô e Osmar faleceu em 78 e não pode completar a obra que estava preparando especialmente para o trio elétrico "Armandinho, Dodô e Osmar". Osmar lhe dedica como reverência um pout-pourrit com seus chorinhos Delicado, Arrasta-Pé, Camundongo e Brasileiro. Outro que merece versões instrumentais trioletrizadas de suas composições é Caetano Veloso, em: Atrás do trio elétrico; Sem grilos; Chuva, suor e cerveja; A filha da Chiquita Bacana.  Ainda neste LP, Armandinho volta cantar em outra parceria com Fausto Nilo na frevo-afoxé Zanzibar (As cores) que assim como Beleza Pura fazia parte do repertório da "A Cor do Som" só que em arranjos mais pop e menos "carnavalizadas".

Em 81,  o homenageado foi John Lennon que faleceu em dezembro do ano anterior e mostra mais uma vez a intenção da banda ter suas bases fincadas na raiz nordestina e brasileira, mas não esquecer suas influências cosmopolitas. O álbum "Incendiou o Brasil" traz o pout pourrit Saravá Lennon incluiu O-bla-di-o-bla-da, I want to hold your hand e  She loves you. Osmar definiu o som do trio elétrico como "Música pra pular Brasileira" que incorp00ora  da sinfonia de Beethoven, um choro de Pixiguinha e um passo double espanhol. O LP traz uma abertura para mais ritmos, até para o mambo caribenho. O compositor e cantor Moraes Moreira faz homenagem a Dodô vem na marcha-frevo Dodô no Céu, Osmar na Terra que vira hit no carnaval no Nordeste de 82.

Na sequência,  eles lançam o álbum "Folia Elétrica" pela gravadora Som Livre que incorpora a intenção da banda de não ter a execução radiofônica restrita ao período carnavalesco. O próprio Armadinho sai da "A Cor do Som" para se dedicar integralmente ao trio elétrico. O disco é recheado de frevo-rock, frevo-afoxé, frevo-trioletrizado e até o caribenho ritmo do merengue. Neste disco, eles regravaram a Satisfação de Gilberto Gil.

A abertura para o som dos afoxés se faz em Alô Filhos de Gandhi, composição de Armandinho e do irmão André que se inicia no trabalho de composição. O destaque fica por conta da satírica letra de Moraes Moreira em Cadê o trio? que dar uma explicação dos motivos que levaram o trio elétrico "Armandinho, Dodô e Osmar" a desfilar no Carnaval de Itabuna em 81 e 82 por conta da falta de apoio para desfilar em Salvador. O LP conta ainda com participação do músico Sivuca que participa da faixa instrumental Jazzquifrevo.

O trio elétrico “Armadinho, Dodô e Osmar” lança, em 86, o álbum “Chame Gente” e consegue um sucesso em nível nacional com a faixa-título, um frevo de Caetano Veloso cantado por Armandinho. A letra faz uma verdadeira apologia à alegria característica da musicalidade e do espírito de Salvador, capital do maior carnaval de rua do mundo. No ano seguinte,  Armandinho se afasta do seu trabalho de direção musical do trio elétrico para se dedicar à carreira-solo. O álbum “Aí eu liguei o rádio!” traz novas parcerias como na faixa-título que é de autoria do baiano Walter Queiroz. 

Em decorrência do avanço da chamada axé music por todo território nacional – com o estouro de novos artistas baianos, como Luiz Caldas e Sarajane -, em Recife e Olinda (Pernambuco) começou um processo de resistência à música baiana. Tentou-se até por força de lei, limitar a participação de artistas baianos no carnaval local. Para fazer um tributo à terra que deu a matéria-prima musical para a “dupla elétrica” moldar sua sonoridade do trio elétrico “Dodô & Osmar”, o vocalista e novo diretor artístico da banda, André Macêdo, canta o frevo A vida é um pernambuco. E Chegam os anos 90...

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