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O
samba baiano teve em Batatinha o seu maior poeta e compositor de mais de
100 canções. O gráfico aposentado Oscar da Penha, ou melhor
"Batatinha", faleceu em Salvador, em 3/01//97, aos 72 anos,
sem nunca ter conseguido em
vida o sucesso relativo à qualidade da sua obra. Apenas teve registrado
dois álbuns em toda sua trajetória artística. Reconhecido pela crítica
especializada e por nomes da Música Popular Brasileira (MPB) teve
diversas composições gravadas por Maria Bethânia,
Caetano Veloso, Nara Leão, Jair Rodrigues, Jamelão, Moraes Moreira,
dentre outras.
Ele
foi o primeiro compositor a inventar o samba-receita, notabilizado na canção O
Vatapá, e o pioneiro a introduzir elementos da capoeira na canção
popular nos anos 50. Seu estilo melancólico do seu samba, fez a crítica
o comparar em certa parte com a ambiência lírica das composições de
Noel Rosa, Cartola e Paulinho da Viola. Batatinha fez samba de alto nível
fundamentado na tadição do samba de raiz baiana.
Nascido
em Salvador, no dia 5/08/24, desde os 15 anos de idade, Batatinha
trabalhou como gráfico dos jornais "Diário de Notícias" e
"Estado da Bahia" e foi funcionário público da
"Imprensa Oficial" (hoje, Empresa Gráfica da Bahia). Casado
com Marta dos Santos Penha, teve nove filhos. Desde os 15 anos já
compunha e estava envolvido com o ambiente musical da capital baiana.
Começou a carreira como cantor descoberto pelo radialista da Rádio
Excelsior, o pernambucano Antônio Maria de Moraes, em 44, que o colocou
o apelido de Batatinha. O radialista ficou impressionado com a qualidade
de sambas dele, como Olha aí, O
que é que há, Iaiá no Samba, Receita de Feijoada e
Doutor Cobrador.
O
artista foi presença constante interpretando músicas do compositor
paulista Vassourinha no programa de auditório chamado "Campeonato
do Samba" que se realizava no Cine Guarany. Antes escapou de servir
a Força Expedicionário Brasileira na Segunda Guerra Mundial, graças a
intervenção do amigo Odorico Tavares. Na época, Batatinha vivia na boêmia
com amigos gráficos, como Dufi Cruz que, também, era sambista. Este
antes de morrer na década de 50, compôs com Batatinha o samba O
Grande Rei.
As
maiores influências no início da carreira de Batatinha eram de Wilson
Batista, Noel Rosa, Aracy de Almeida e Ciro Monteiro. Ele participou
durante toda década de 50 do concurso de composição para o carnaval
de Salvador promovido pela Rádio Sociedade pelo locutor Renato Mendonça.
Apesar do sucesso de seus sambas para o carnaval, ele numca conseguiu
ganhar nenhum conscurso.
Seu
primeiro samba composto foi o samba Inventor
de Trabalho concebido em 1943 e só seria registrada no seu primeiro
LP que dividiu com os colegas sambistas baianos Riachão e Panela. O seu
primeiro samba gravado foi Jajá está com uma coroa que é um barato interpretado pelo
sambista carioca Jamelão. A letra relata com um raro humor as histórias
de um malandro chamado Jajá da Gamboa que se relacionou com uma coroa
rica da sociedade soteropolitana e arrancou toda sua grana e até sua
dendadura de ouro.
Samba
com pionerismo
Seu
pionerismo remonta até a primeira incursão da capoeira na música
brasileira que ele fez com o grupo de Cancioneiros do Norte através da
Rádio Cultura de Salvador. Em 1951, ele compôs Samba
e Capoeira e que foi executada em 1954.
A proposta estéwtica de misturar as melodias das músicas da dança
afro-baiana num formato de cancioneiro popular ganhou força com outros
nomes da música brasileira, como Clodoaldo Brito e Baden Powell e Vinícius
de Moraes. Por conta dessa iniciativa teve seu nome incluído no
trabalho sobre a capoeira etnógrafo Valderloir Rego.
Em
1960, ele perdeu com uma das suas mais refinadas composições chamada Diplomacia,
cantado por Humberto Reis. O samba entrou na trilha sonora do primeiro
filme de Gláuber Rocha, "Barravento".
A letra confessional do samba na época intitulada de Tormento
refletia o estado de espírito de Batatinha na busca pelo
reconhecimento: "...Luto por um pouco de conforto/Tenho o corpo
quase morto/Não acerto nem pensar/ Mesmo
com tanta agonia/ ainda posso cantar// Meu desespero ninguém vê/
sou diplomado em matéria de sofrer/ Falsa alegria, sorriso de
fingimento/ Alguém tem culpa desse meu padecimento". Pautado por uma melancolia atípica
para um baiano pode ser ilustrada no samba Direito
de Sambar. A letra revela a nuance de um compositor a expor sua face
sensível em plena avenida de carnaval: "É proibido sonhar/ Então
me deixe o direito de sambar/ ... Já faz dois anos/ que não saio na
escola/ e saudade me devora/ quando vejo a turma passar".
Nesse
mesmo ano, Batatinha vira sucesso nacional como compositor
depois da gravação de Jamelão que gravou Javá
da Gamboa. Esse fato chama a atenção dso intérpretes para o
talentoso compositor negro baiano. Maria Bethânia seria o primeiro
grande nome da MPB a lhe dar vez, gravando,
em 64, os sambas Diplomacia, Toada da Saudade, Imitação e a Hora da Razão nos shows do Teatro Opinião e no show do álbum
"Rosa dos Ventos". Depois, ela gravaria ainda a marcha A
História do Circo.
Em
66, o sambista baiano Ederaldo gentil o convida para musicar a peça
teatral "Pedro Mico" de Antônio Callado. Ele compõe o samba Espera
que foi gravado pela cantora maranhense Alcione. Ainda participa, em 67,
de uma produção de um vídeo-documentário da tv italiana estatal RAI
sobre o samba brasileiro. mais>>>
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