"Falta ousadia aos grandes jornais online"

Amanda Mota
Entrevista com Luis Fernando Rocha, repórter há nove meses da revista eletrônica Módulo Security Magazine. Atualmete é um dos colaboradores do site/blog Imprensa Marrom e está concluindo o semestre no curso de jornalismo na FACHA-RJ.

PANOPTICON - O modelo utilizado pelos sites como o Correspondente.net seria o melhor modelo de interatividade tão almejado?

Luis Fernando Rocha - Acho que essa é a melhor maneira de se criar fóruns de discussão, atraindo um número maior de leitores e, conseqüentemente, gerando um aumento do tráfego pelo site. Todo mundo (leitor e veículo) sai ganhando. O espaço fica aberto para novas idéias, fomentam-se debates e novas informações são geradas espontaneamente. O veículo lucra também, pois o usuário passa a sentir necessidade de voltar sempre naquele espaço. Cria-se assim fidelidade e aproximação entre o emissor e o receptor da informação. Agora, falta ousadia aos grandes jornais online. Por que não absorver e testar este novo conceito para sabermos quais efeitos eles terão no futuro? Para ser mais amplo, o jornalismo online e os Jornalistas da Web ainda carecem de ousadia. Além disso, considero ainda dois pontos fundamentais em relação ao jornalismo na internet. Primeiro, permitiu que os veículos se aproximassem cada vez mais de seus leitores.Um exemplo é o Jornal do Brasil que disponibiliza atualmente na versão impressa o email do repórter que assina a matéria. Se antes o leitor era"marginalizado" somente ao espaço de Cartas dos Leitores, agora ele pode falar diretamente com o produtor da notícia. Outro ponto a destacar é que hoje, na web, qualquer um pode ser produtor de notícias, através das ferramentas de criação de sites pessoais e dos blogs.

PANOPTICON - Quem seria o responsável pelo conteúdo destes sites?

Luis Fernando Rocha - O responsável, na minha opinião, ainda seria o jornalista. A noção e técnica de produção de pautas, matérias e edição ainda fazem falta para esses sites que procuram abrir seus espaços para leitores. Por isso, o jornalista é fundamental nesta horas, pois ele avalia e ordena da maneira correta o conteúdo informativo a ser publicado no site.

PANOPTICON - Estes sites, considerados de notícias, seriam sites jornalísticos?

Luis Fernando Rocha - Se seguirem uma estrutura básica jornalística, criando uma linha editorial a ser seguida, dividindo seu conteúdo em editorias, seguindo a hierarquia de cargos (como repórter, diagramador e editor), na minha opinião, passa a ser considerado um veículo jornalístico. O problema seria a falta de profissionais com conhecimento técnico para colocar, corretamente, esses preceitos em prática.

PANOPTICON - Como estes sites são vistos pelos jornalistas brasileiros?

Luis Fernando Rocha - No meu caso, analiso e utilizo esses sites com boa fonte de informações para futuras reportagens. Neles, é possível extrair informações e conhecer o pensamento de determinados segmentos profissionais, como de informática, advocacia, medicina, entre outros. Hoje, o meio jornalístico vive uma grande discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Muitos alegam que um leigo não exerce a função de um dentista, de um médico ou de um advogado. Além disso, gerar um veículo noticioso sem conhecer as técnicas e o código de ética da profissão é uma questão que não pode ser deixada de lado e que considero fundamental nesta questão. O ponto positivo deste debate é que os jornalistas enxergam uma "obrigação" de tornar seu produto (a notícia) cada vez melhor devido ao aumento da concorrência. E se esta concorrência existe é porque algumacoisa errada anda proporcionando este novo espaço.

PANOPTICON - Qual a credibilidade destas páginas?

Luis Fernando Rocha - Os grandes jornais construíram a chamada credibilidade ao longo do tempo.Uma Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro) pode não ter a mesma circulação e vendagem que um O Globo, mas cativa uma legião de leitores fiéis que
continuam comprando e sustentando o jornal. Acho que a credibilidade em sites de notícia online vai pelo mesmo caminho. Na área em que atuei como repórter (segurança da informação eletrônica), conheço alguns sites de menor estrutura e com um longo tempo de existênciano mundo virtual (como www.linuxsecurity.com.br, www.istf.com.br), que mantêm mais acessos que a editoria online de tecnologia de um portal com a estrutura da Globonews.com.

Copyright © 2002 - Oficina de Jornalismo Digital - Faculdade de Comunicação / UFBA

 

Luis Fernando Rocha publicou alguns artigos nos sites Jornalistas da Web, Observatório da Imprensa e Webinsider. Foi colunista da extinta revista eletrônica universitária Fibiotônicos - Bahia. Também é editor e repórter da revista eletrônica C@iu na Rede.