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Panopticon - O estadao.com.br
difere de outros sitesjornalísticos brasileiros no que se
refere ao uso do espaço. Como vocêsda redação
do "Últimas Notícias" utilizam os recursos
da WEB para prendero leitor, considerando-se a dicotomia: atenção
limitada do leitor X espaço ilimitado do meio?
Sérgio Vaz - Como vocês mesmo notaram, já
que está dito na pergunta, o estadao.com.br difere dos demais
no uso do espaço, especialmente do espaço na primeira
página, a home main. Ao contrário do que acontece
em todos os demais portais de notícia, nossa primeira página
não tem formato prefixado, com templates fixas, em que apenas
mudam os títulos. Nossa primeira é inteiramente aberta,
sem camisa-de-força. Assim, podemos tratar cada notícia
com o peso que ela merece; podemos usar corpos maiores para notícias
de maior impacto; podemos abrir mais as fotos excepcionais e assim
por diante. De resto, enfrentamos, como todos os sites, o problema
de peso das páginas: uma página pesada demora mais
para abrir, e isso afasta os leitores. Desta maneira, o espaço
do meio não é tão ilimitado assim.
Panopticon - Quanto à
transposição da versão impressa para o site,
existealgum tipo de avaliação ou adequação
para edição online? Quando isso éfeito e a
partir de que horas é disponibilizado esse material?
Sérgio Vaz - A transposição tanto de
O Estado de S. Paulo quanto do Jornal da Tardepara o portal estadao.com.br
é feita logo após o fechamento dos jornais, entre
as 22 horas e cerca de 1 hora da manhã. O material dos dois
jornais está inteiramente disponível a partir daí:
1 hora da manhã. Lembro que apenas os jornais do Grupo Estado
ficam inteiramente disponíveis na Internet, gratuitamente.
Os demais são disponibilizam todo o seu conteúdo na
rede. Esta foi uma decisão editorial do Grupo Estado.
Panopticon - Existe tolerância
para o tamanho das notícias na WEB?
Sérgio Vaz - Para as notícias, o espaço
na Internet é, como vocês mesmos diziam,ilimitado.
Por isso não há limitação de tamanho,
no estadao.com.br. Há quem ache que notícias compridas
não são lidas. Há quem ache tudo? Como diria
o Millôr, livre achar é só achar. Eu, pessoalmente,
acho que a importância da notícia define o tamanho
que ela deve ter; se o leitor quiser ler só o lide, tudo
bem, a opção é dele. Mas se a notícia
merece ter 100 linhas, terá 100 linhas. Naturalmente, se
temos uma informação importantíssima e urgente,
entramos com o flash curto. Mas em seguida entramos com a informação
mais consolidada. Aliás, esta é outra característica
que nos diferencia de outros portais e sites de notícia.
Ao contrário de muitos deles, nãopicamos notícia
para parecer que temos um volume grande de informação.
Nosso volume de notícias já é grande mesmo;
não precisamos usar qualquer artifício para demonstrar
isso.
Panopticon - No jornal impresso,
as páginas delimitam a produção e matérias,
o que não ocorre na versão online, que tem espaço
ilimitado.Vocês aproveitam (para o site) as matéria
que não foram veiculadas noimpresso por falta de espaço?
Sérgio Vaz - Sim, aproveitamos. A produção
da Agência Estado e das redações dos dois jornais
sem dúvida é muito maior do que os jornais em papel
comportam; oportal utiliza diariamente matérias que não
foram veiculadas na versão impressa.
Panopticon - Você acha
que o modelo da Pirâmide Invertida é adequado àestrutura
do texto jornalístico na WEB?
Sérgio Vaz - Acho que sim. Até porque, assim
como acontece no meio impresso, alguns leitores podem por falta
de tempo, por opção, por preguiça, seja lá
por que motivo for querer ler apenas os primeiros parágrafos
de uma notícia ou de outra. Se os fatos mais fundamentais,
mais básicos da notícia estiverem concentrados nos
primeiros parágrafos, melhor.
Panopticon - Como fica a questão
do valor notícia quando o que se buscaé a informação
em primeira mão e a alimentação contínua
do sistema deúltimo minuto com dados novos?
Sérgio Vaz - Não creio que o que se deve buscar
seja apenas a informação em primeira mão. A
informação em primeira mão, rápida,
imediata, é importante, é claro, mas não é
tudo. Há todo um mundo de informações que se
segue a uma notícia importante: os desenvolvimentos, os detalhes,
as repercussões, as análises. Tudo isso é necessário,
me parece, num portal de informações e é o
que buscamos forecer aos leitores.
Panopticon - A ausência
de um texto linear pode confundir o leitor? Há umpadrão
para o uso de links ou hipertextos no portal Estadão?
Sérgio Vaz - Na verdade, acho até que o estadao.com.br
usa menos links do que seria ideal. Não usamos mais por falta
de tempo e de mais pessoas na redaçãopara editar o
material. Mas nos esforçamos sempre para dar links para matérias
relacionadas, no final de cada notícia.
Panopticon - O hipertexto garante
ao leitor o "poder de controlar o quever. Você acha que
isto pode mudar a rotina de produção e escolha dasnotícias
publicadas na Internet?
Sérgio Vaz - Francamente, não sei. Acho que
um portal de notícias deve dar aosleitores o mais amplo leque
de assuntos que for possível, para que cada leitor possa
aproveitar a parte desse leque que interessa a ele.
Panopticon - No caso do Estado
de S. Paulo, a edição do jornal impresso edo online
se voltam complementares à utilização de indicadores
como "leiamais na versão impressa" ou "veja
mais na online"?
Sérgio Vaz - Ainda não vínhamos fazendo
isso de maneira regular e constante. Estamos, neste momento mesmo,
discutindo formas e critérios de sermos maiscomplementares,
o portal e o jornal impresso, com o portal dando mais detalhes (em
boxes, quadros, retrancas complementares, íntegras) do que
está publicado no jornal impresso.
Panopticon - Eu consegui entrevistar
você somente devido à questão dorecurso da interatividade,
bastante aplicado no portal Estadão. Como esserecurso está
influenciando o formato da notícia na Internet e a relaçãojornalista/leitor?
Sérgio Vaz - Olhe, não sei quanto ao formato
da notícia. Mas posso dizer, com todacerteza, que trabalhar
com notícias na Internet dá um enorme prazer, graças
à dimensão e ao imediatismo da resposta dos leitores.
É uma coisa absolutamente fascinante a resposta dos leitores
em volume e em rapidez. Outro dia botamos na home page uma enquete
sobre a Seleção brasileira de futebol. Em cinco minutos,
já tínhamos umas 20 respostas; em cinco horas, foram
cerca de 2 mil. No mesmo dia entramos com outra enquete, sobre política:
perguntamos ao leitor quem ele achava que tinha saído perdendo
com o episódio da saída do pefelê do governo,
no dia emque o pefelê anunciou a saída. Eu achei que
fosse ter muito menos retorno do que a enquete de futebol. Pois
o retorno foi ainda maior e sábio. A imensa maioria identificou
claramente que a Roseana e o pefelê perderam. Na enquete sobre
a Seleção, tivemos retorno de 2.176 leitores. Na do
pefelê, foram 3.534. Um erro de português que a gente
comete (e a gente comete muitos, infelizmente, na pressa; ainda
bem que na Internet, ao contrário de no jornal impresso,
dá pra consertar rapidinho...), e literalmente chovem e-mails
de leitores. Os leitores protestam contra tudo o que eles julgam
errado no material. É uma coisa maravilhosa. Costumo brincar
com os amigos: isto aqui é um canhão. É um
poder incrível.
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