Ph38.gif (8675 bytes)EntO O- O que o senhor deseja?, o delegado perguntou.

- Desculpe, acho que entrei no lugar errado...

Fiquei meio confuso com o barulho do ventilador de teto que fazia um ronco danado parecendo um daqueles aviões Catalina que se usavam lá no Norte nos anos sessenta e eram os únicos que podiam pousar em rios e igarapés e serviam para levar mantimentos e remédios para os missionários, militares e funcionários do governo que trabalhavam metidos lá nas brenhas, assistindo índios e seringueiros ou pelo menos alegando que era isso que faziam por lá. Os Catalina faziam tanto barulho que, volta e meia, rachavam os vidros das casas de Belém quando passavam mais baixo e ai de quem fosse reclamar para um tenentezinho daqueles que controlavam o serviço, era capaz de acabar preso por subversão e pendurado num pau-de-arara, tomando choque e porrada, porque quem não é daquele tempo nem imagina o que era o despotismo dos milicos quando eles mandavam e desmandavam e viviam enxergando comunista e guerrilheiro em baixo de cada pedra.

- O que o senhor está querendo?, o delegado repetiu.

Despertei de minhas lembranças catalinenses sessentistas e respondi:

- É que eu estava seguindo uma senhora e pensei que ela tivesse entrado aqui...

- Aqui? Na Delegacia? O senhor não está vendo que não há ninguém aqui além de mim o escrivão e o policial de plantão?

-Bem, não sei... Eu achei que...

- Seguindo uma mulher por que? Que mulher? O que o senhor quer com ela?

- É que eu a encontrei e depois a perdi de vista e...

- Ora, meu senhor deixe-me trabalhar e vá cuidar de sua vida...

Sai resolvido a esquecer aquela mulher, fosse ela quem fosse...

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