Ph38.gif (8675 bytes)EntrEle então

me reconheceu e  explicou que eu precisava me lembrar exatamente do que havia acontecido, porque a história que eu havia contado não fazia o menor sentido. Como assim, não fazia o menor sentido?, eu perguntei. E o delegado explicou que tudo havia sido checado e que nada batia com o meu depoimento ao sargento. O homenzinho da portaria do hotel garantiu que eu havia saído e chegado só ao hotel naquela noite. No Peixada de Prata nenhum garçon tinha visto a mulher vestida de negro com sandália de tipo romano e nenhum deles se lembrava de ter servido ovas de pescada naquela noite. E seria coisa para lembrar, porque é um prato que tem muito pouca saída, pouca gente tendo coragem de comer aquilo. No barzinho se lembravam de um senhor meio grisalho que entrou já tarde da noite, sozinho, bebeu dois martinis e um uisque e saiu de lá já bem balançado. Não havia traço de qualquer Ana Lívia Cordeiro nos fichários policiais de Vitória e uma solicitação à Polinter para verificar em arquivos de outros Estados também havia dado em nada. E o pessoal da Polícia Técnica havia examinado o quarto do hotel, virando tudo de ponta cabeça, mas não havia encontrado nada de estranho. Impressões digitais só as minhas e as da camareira. E uma barata morta ao lado da privada. Gritei, esbravejei e cheguei a dar um murro na mesa do delegado, mas ele manteve a calma, disse para eu relaxar, que confusões às vezes acontecem, que eu provavelmente tinha tido um delírio por causa da operação ou como efeito colateral de algum medicamento que havia tomado, que eu tirasse a dama de preto da minha cabeça, deixasse de fantasias e fizesse um esforço, procurando me lembrar como as coisas realmente haviam acontecido...  E olhe fale baixo, vá se aquietando e vá dando o fora porque eu já estou perdendo a paciência com o senhor e se continuar a gritar eu vou metê-lo no xadrez, mesmo com sua situação de saúde....Maze.gif (4515 bytes)