O SURGIMENTO DO JORNALISMO IMPRESSO

O interesse humano pelas notícias sobre os acontecimentos sociais e naturais é tão antigo quanto a própria linguagem. Na Antigüidade os rapsodos já eram famosos por andarem pelos reinos e impérios difundindo informações de todas as partes do mundo antigo. No Império Romano, a Acta Diurna Populi Romani, boletim oficial afixado em uma tábua branca no muro da residência de César, já possuía todas as características jornalísticas (periodicidade, atualidade e variedade) informando sobre jogos, batalhas, cerimônias religiosas, atividades do Senado e demais acontecimentos. Este tipo de boletim-mural também esteve presente em outras civilizações antigas como no Egito, na Babilônia e na Grécia, e sobrevive na China.
Com a queda do Império Romano e o advento do mundo feudal, a troca de informações ficou restrita. Os trovadores que viviam por entre diversos feudos fazendo poesias líricas, eram, então, os responsáveis por reportar as notícias do mundo exterior. O final do feudalismo e início do renascimento e do mercantilismo, trouxeram novas perspectivas para o jornalismo. Neste momento as cidades cresciam e o comércio se expandia, o homem mais do que nunca precisava de informações para desenvolver este novo espírito e fortalecer a vida urbana.
Em 1440, Gutenberg inventa a imprensa (descubra a verdadeira contribuição de Gutenberg), revoluciando a comunicação ao possibilitar a produção de livros, jornais, boletins e demais documentos em grande escala. O primeiro livro imprenso por ele foi a Bíblia. Os primeiros jornais surgiram neste período, como o semanário, Nieuwe Tydingen em 1605, na Antuerpia. Em toda a Europa outros jornais surgiam como o Frankfurter Journal em 1615, Gazette van Antwerpen, em 1619, Weekly News, em 1622 e Gazette de France em 1631, sendo a França e a Alemanha os países onde o jornalismo se desenvolveu mais rapidamente.

A IMPRENSA NA AMÉRICA
A realidade colonial retardou o desenvolvimento da imprensa nas Américas. O primeiro jornal dos Estados Unidos, The Public Ocurrences, só foi fundado em 1690, 85 anos depois da fundação do primeiro noticiário europeu e só circulou por um curto período, pois logo após sua primeira edição foi fechado pelas autoridades coloniais. Mesmo antes da declaração de independência dos EUA, outras tentativas de implantação do jornalismo impresso tiveram êxito, como o Boston News Letter, em 1704, Boston Gazete em 1719 e o New England Journal em 1721. Os principais jornalistas da época foram justamente os maiores nomes das lutas por emancipação americana: Benjamin Franklin, Jonh Adams, Thomas Jefferson e Alexander Hamilton.

JORNALISMO MODERNO
Com as Revoluções Francesa e Industrial nasce o jornalismo moderno. A partir da efevercência cultural dos séculos XVIII e XIX, o interesse pelo jornalismo se multiplicou como também o número de jornais que crescia em todas as partes do mundo industrial ou pré-industrial. A produção de jornais em grande escala, a partir da criação de impressoras a vapor e a utilização da publicidade para cobrir parte das despesas dos periódicos, permitiram que o preço do impresso caísse, possibilitando que um maior número de pessoas tivessem acesso aos jornais, mudando o panorama do público leitor. O jornalismo tornava-se cada vez mais uma prática profissional e comercial, elaborando-se, ganhando estilo e código de ética.


O JORNALISMO NO BRASIL
A história do jornalismo brasileiro começou em 1808, ano da chegada da corte portuguesa ao Brasil. Nesse ano, circulou pela primeira vez no país, de forma clandestina, o Correio Braziliense, editado em Londres pelo jornalista gaúcho Hipólito José da Costa. Para combater seu conteúdo republicano, D. João VI criou a Imprensa Régia que passou então a editar o monarquista Gazeta do Rio de Janeiro. Diversos jornais criados até a independência foram em defesa de Portugal e contra os ideais da emancipação, como os periódicos cariocas O Amigo do Rei e da Nação, O Bem da Ordem e O Conciliador do Reino. Em 1821 surgem as primeiras publicações pró-independência como os baianos o Diário Constitucional e o A Malagueta, e o pernambucano Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco. Com a autonomia política brasileira, em 1822, os jornais panfletários se propagaram em diversos estados: Farol Paulista e o Observador Constitucional de São Paulo, O Precursor das Eleições de Minais Gerais e O Olindense de Pernambuco. O século XIX foi marcado também pelo jornalismo literário, com a presença de escritores como José de Alencar e Machado de Assis.

O SÉCULO XX
O jornalismo do século XX é um produto não só da evolução do estilo jornalístico, como também das diversas inovações tecnológicas, que permitiram desde a produção de jornais em escala cada vez maior até a possibilidade de ter acesso às noticias do mundo inteiro em um curto espaço tempo, através do telégrafo, telefone, rádio, comunicação via satélite e por fim Internet. Surgem os grandes jornais com circulação como The New York Times, Le Figaro e The Sunday Times. Também no Brasil nascem os grandes diários: Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e Estado de São Paulo. As revistas passam a figurar no cenário do jornalismo impresso, fazendo muito sucesso através de um discurso mais interpretativo. As revistas se diversificaram e hoje abordam os mais distintos temas, existindo veículos destinados a assuntos científicos, femininos, esportivos, cinematográficos e muitos outros. O jornalismo impresso segue cada vez mais profissional e comercial, interligando o mundo globalizado a partir das inovações tecnológicas.