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Vladimir
Herzog
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"Não
há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos
a dizer o que acontece." Hannah Arendt
Numa
atmosfera ríspida e implacável de ditadura militar, ao entardecer
de uma sexta-feira, Vladimir Herzog é intimado por agentes
da Doutrina de Segurança Nacional para prestar depoimento
nas dependências do Departamento de Operações Internas (DOI).
Ao se apresentar no dia seguinte, sábado dia 25 de outubro
de 1975, não imaginava o jornalista que sofreria as mais contundentes
atrocidades, nem muito menos que estava a poucas horas de
sua morte.
Publicada
na imprensa, a nota oficial do II Exército relatava ao país
enganos, dissimulações e, de forma ainda mais explícita, a
sua falsa neutralidade e tolerância para com os intimados.
O documento informava, de maneira categórica e minuciosa,
que Herzog teria confessado participar efetivamente do PCB,
denunciando outros companheiros e, após alguns minutos, teria
se enforcado com uma tira de pano. Porém, conforme os depoimentos
de Jorge Benigno Duque Estrada e Leandro Konder, jornalistas
também presos e acareados, a vítima teria sido assassinada
sob torturas. Após o último interrogatório acontecido na tarde
do mesmo dia, essas testemunhas teriam ouvido os últimos murmúrios
de Herzog num dos porões truculentos da ditadura.
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