O Que É ?

     Superstição é um termo derivado do latim – supers estitio – que significa fanatismo, receio vão, culto falso, religião falsa. Geralmente as pessoas recusam a tachar de superstição uma crença ou prática alegando que é "verdade" (astrologia) ou que "funciona" (procedimentos individuais de cura). Assim, alguns classificam de supersticiosas, já que errôneas, crenças que outros consideram como sendo verdadeiras.
     O termo superstição encontra-se ligado a religiosidade. Inclusive os termos CRENDICE e SUPERSTIÇÃO são empregados para definirem o sentimento que se encaminha para crenças estranhas, significando entre o povo a mesma coisa. Investigando, percebe-se a sensibilidade que estas expressões despertam nos seus seguidores, nota-se que elas fazem nascer crenças subjetivas que se diferenciam na prática. O crendeiro sublima a religião que professa com tamanha fé nos santos, nas rezas e promessas; é eclético, acredita um pouco em todas as religiões e de todas segue retalhos de ritos. Na superstição, observa-se a ausência de uma paixão religiosa entranhada e doentia; as entidades santificadas ou temíveis são substituídas por objetos, animais, vegetais, minerais, por palavras e gestos.
     Segundo variados estudos à respeito da superstição, certos estudiosos a define em função de sua ausência de fundamento científico e designam por esse termo tanto as crendices ligadas, por exemplo, à sexta feira treze, ao trevo de quatro folhas e ainda as crendices situadas nos limites da ciência ou da religião. Instaura-se então uma dúvida: Que crendices convém qualificar de supersticiosas? É possível delimitar seu campo com clareza, aproximando-o tanto ao da ciência quanto ao da religião?
     Há diferentes tendências na maneira de classificar como supersticiosa ou não determinadas crenças. Na opinião do senso comum entram nesta escala gato preto, trevo, sexta feira treze, espelho quebrado, entre outras coisas do gênero. Este tipo de superstição são conhecidas como tradicionais, enquanto que as crenças relacionadas as paraciências e a religião são classificadas como marginais, justamente por serem pouco reconhecidas como superstição, mas que não deixam de existir ou de serem citadas. Até mesmo este tipo de classificação onde se traduz um consenso de crenças "fortes" e crenças marginais traduz a incoerência de se delimitar estritamente o campo da superstição.
    Analisando estudos teóricos a respeito do assunto, verifica-se que na maioria dos casos, superstição é definida por seu caráter anti-religioso (Herbert e Mauss 1902-1903; Durkheim 1912), como uma pseudociência (Frazer 1890), como resposta a insuficiência da ciência (Malinowski, 1925) e a superstição associadas a crenças que não são nem religiosas nem científicas. Nota-se nos estudos acima citados que a superstição é raramente definida de outra forma que não seja pela negativa. Assim, a superstição pereceria impossível de se apreender, independentemente de suas ligações com o conjunto de crenças tidas como verdadeiras pela fração dominante da comunidade religiosa mais importante, por um lado, e por outro, a da comunidade cientifica .
     No que se refere ao campo da religião, observa-se que a superstição tem maior impacto entre aqueles cujos sentimentos religiosos não são coerentes ou não são acompanhados por uma forte integração ao catolicismo. As crenças supersticiosas coexistem com as crenças religiosas como forma de responder as necessidades que não são mais satisfeitas pelo catolicismo tradicional. A dúvida novamente se instala: até que ponto começa a religião e acaba a superstição quando, por exemplo, se "encomenda" uma missa para se encontrar um trabalho?
     Assim como na religião, a fronteira entre superstição e paraciência parece particularmente difícil de se demarcar também no campo da ciência. Os médicos, como exemplo da comunidade científica, se vêem confrontados por práticas concorrentes cuja eficácia jamais foi verificada, controlada ou reproduzida cientificamente, e por isso classificam-nas como supersticiosas. Isto por fazerem parte de uma comunidade a qual não se pode pertencer-se, aderem a um Corpus ortodoxo. Mas como se explica determinados procedimentos com a confiança mágica no medicamento? Volta-se a questão do limite entre superstição e paraciências. O que ocorre portanto é uma incompatibilidade entre as crenças supersticiosas e a posse de um saber científico.
    Considerando-se tudo que foi dito, a definição de superstição mais cabível: crenças que, numa determinada época, vão de encontro a doutrinas e práticas atestadas pelas frações dominantes da comunidade científica e/ou da comunidade religiosa culturalmente mais importante. Crenças estas geralmente fundamentadas no medo ou no desejo de atrair felicidade. A superstição é um sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fanáticas e à confiança em coisas ineficazes; crendices. Crença em presságios tirados de fatos puramente fortuitos. Apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa.

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Como se explica? Quem pratica? Crendices Simpatias