Novos Poetas Você é o Poeta

Trazemos a vocês agora, um pouco da obra de grandes poetas de língua portuguesa. Aos poucos, você vai conhecendo ainda mais essas e outras obras. Nesta edição do site trazemos os mestres: Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos.


Vinícius de Moraes

Soneto de Fidelidade

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http://www.geocities.com/paris/9009

Vinicius

"De tudo ao meu amor serei atento
antes e com tal zelo e sempre e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor ei de espalhar meu canto
e rir meu riso, e derramar meu pranto
ao seu pesar ou ao seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procures
quem sabe a morte, angústia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor que tive
que seja mortal posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure."


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:  
"Navegar é preciso;  viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase, 
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário;  o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande, 

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; 
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue 

o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa

Navegar é Preciso

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http://www.lsi.usp.br/art/pessoa

http://www.geocities.com/paris/metro/7719


Augusto dos Anjos

BUDISMO MODERNO

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Anjos

Tome, Dr., esta tesoura, e… corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou em minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa.

Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida,
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!


Novos Poetas Você é o Poeta

Crédito : esta página foi elaborada por Ricardo Ferreira e Faber Anderson
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