|
|
| Minha impressão é que ainda há certos problemas de definição a
respeito da improvisação na dança. Paxton: A improvisação tem essa imagem de ser realmente livre. Na verdade, todo mundo está improvisando o tempo todo, fazem isso num piquenique ou no trabalho ou numa conversa, como agora. Certas improvisações são mais restritas que outras, mas não deixa de ser improvisação. |
|
| A improvisação é necessariamente única? Paxton: Não, você sempre pode repetir coisas, o que não é tão contraditório quanto soa. A improvisação é baseada numa idéia e em todas as possibilidades que surgem delas. Eu não vejo nem contradições nem similaridades entre as formas fixas de dança e a improvisação inicial. É uma gama de possibilidades, como um espectro de cores. |
|
| Mas o que acontece durante uma performance espontânea não pode ser
reproduzido em coreografia? Paxton: Certo. Mas algumas coreografias
pretendem comunicar um sentido de improvisação, do mesmo modo que a improvisação pode,
algumas vezes, parecer ter sido coreografada . Hoje em dia o material e a coreografia do
movimento são muito detalhados, como no trabalho de Nane Teresa de Keersmaeker. Ela não
raramente usa o grande gestual do velho estilo adaptado a música lenta; agora, é apenas
dividir segundos de ação e reação. Isso afia os sentidos, cria consciência de
velocidade e percepção. |
|
| Quais são as repercussões da improvisação na cena da dança
como um todo? Paxton: A improvisação hoje é mais aceita do que
costumava ser. O Contact Improvisation trouxe algumas pessoas com uma introdução aos
processos de pensamento em torno da improvisação, o que tornou tudo mais familiar.
Parece quase bizarro como alguns dançarinos mais informados, como aqueles da companhia de
Trisha Brown, trabalham com movimentos inacreditavelmente complexos. Diane Madden ensina
à companhia os pontos mais finos da gravidade e como isso afeta o corpo, detalhes de
extensão e tensão dos músculos, posicionamento, contorção de várias partes do corpo.
É incrível como você pode pensar em tantos níveis de uma vez só. |
|
| Por que você sentiu que o Contact Improvisation era necessário? Paxton: Nós começamos apresentando improvisação no " Grand Union". É claro, a dança sempre teve elementos de improvisação, mas mais dentro do estúdio do que na performance. Hoje em dia, nós perdemos a conta do número de formas, relações, e técnicas que nós inventamos no últimos cinco anos. No momento, eu podia ver o tipo de toque de dança chegando, mas a mensagem só estava clara para aquelas pessoas que já praticavam ou observavam tais formas. Eu senti que isso era uma contribuição importante para o mundo visualmente dominado da dança. Um novo modo espacial e temporal de pensar começou a se desenvolver. A seqüência não era determinada apenas pela sua aparência, mas também pelo contato. E isso, significava que as pessoas não estavam dançando apenas sobre seus pés. O corpo estava reduzido à gravidade, que envolve uma força incomum e imprevisível. Eu trabalhei em métodos tais como ensinar mais lentamente e o uso mais concentrado da energia ou o valor da queda, da extensão e da contração da dança moderna - e introduzi muitas idéias baseadas na antiga arte japonesa do Aikido. |
|
| Até que ponto alguém pode manter uma dança improvisacional no
mesmo nível de uma dança coreografada? Paxton: Há um espaço no qual o mínimo dos momentos é tão claramente articulado e efetivo que o público equipara-se de um modo que coreografias normais ou até virtuosas não podem nem intentar. Embora eu tenha visto alguns patinadores de gelo russos se saírem bem em coisas parecidas. |
|
|
|
| artigo 1 | |
Copyright© 1999.2 - COM 024 / FACOM / UFBA |
|