Já falei do desaparecimento dos computadores nos objetos em outra coluna. O mesmo acontece hoje com a tecnologia dos celulares que dão acesso à Internet, o Wap. Trata-se de uma promessa vendida como última novidade tecnológica comercializável e que faz com que o telefone possa acessar informações no ciberespaço - não só falar com o outro, mas interagir com informações e, de forma pragmática, sobre o mundo. Temos um aparelho que é mais do que um telefone. Ele é (será) um teletudo, uma máquina de comunicação com possibilidades ampliadas, capaz de ser uma ferramenta completa de comunicação. É o tudo em rede da cultura contemporânea.
No entanto, a sedução da máquina parece não envolver (wrap) muito as pessoas. Trata-se de mais um gadget, um brinquedinho sem muita função, além do símbolo de status e prestígio?
O Wap ainda não mostrou para que veio. Não parece ter muito a oferecer além da possibilidade de consultar o banco ou ver a programação de cinema na esquina. Você pode receber e-mail e enviar, se tiver dedo e paciência para conseguir montar uma frase no aparelhinho. Isso é legal, mas é pouco para um preço ainda muito alto. No entanto, existe um desejo manifesto de ampliar as formas de agir à distância, instituir por inteiro uma espécie de tecno-nomadismo. Esse é o interesse do Wap: não o hardware, mas a possibilidade efetiva de agir como num passe de mágica.
Os celulares Wap, nessa tendência de modificação dos objetos em máquinas de comunicação, interativas, inteligentes, polivalentes e portáteis, podem verdadeiramente ampliar nosso poder de ação sobre o mundo. Como apresentados até agora, eles não conseguem ter, nem utilidade real, nem interface confortável. Mesmo com equipamentos como teclados adaptáveis, o input de informação ainda é um grande problema. Além disso, não há conteúdo. Mas o desejo de ubiquidade é real.
No fundo, ninguém quer o que esses equipamentos fazem hoje, mas todos querem o que eles potencializam a teleação planetária pelo ciberespaço. Trata-se do desejo de um mundo sem fio, onde a conexão pode se dar de forma imediata, fácil e corriqueira. Como na magia: estou aqui e plin, estou lá. Agir por redes que conectam espaços e tempos diferenciados torna-se a essência mesma da comunicação contemporânea. O que se busca é a troca de informações para além do aqui e agora, estando preso ao aqui e agora. Busca-se participar de um mundo multifacetado.
Como nas relações amorosas, a ausência do outro
não significa separação, já que podemos nos
sentir aqui e lá ao mesmo tempo. O mesmo tem sido o anseio da sociedade
em relação às nova tecnologias. A tecnologia Wap representa
esse sentimento. No entanto, a difícil interatividade e conteúdos
supérfluos não fazem desse instrumento um companheiro de
comunicação. A tecnologia ainda está aquém
do desejo de participar do espaço de fluxos planetário.