Imagine que você está aqui mas pode estar lá, simultaneamente. Michael Crichton escreveu o best seller Timeline nesse espírito. História de viagem em universos paralelos onde computadores podem te enviar a um outro tempo, no caso, a França do século XIV. Trata-se de computadores quânticos que têm a capacidade de, literalmente, teletransportar pessoas, como em Viagem nas Estrelas. É ficção, mas é também realidade. A ciências dos quanta e da micro-informática estão se juntando, preparando o futuro, buscando a comunicação em universos paralelos. Você poderá ser, assim, enviado como um fax.
O mundo quântico atua pela complexidade e pela incoerência espaço-temporal. A ciência das partículas reconhece a irredutibilidade dos universos paralelos, coexistindo lógicas e percepcões díspares do real. Teoricamente, o físico Hugh Everett mostrou, em 1957, que outros universos coexistem com o nosso. Em 1998, o teletransporte quântico foi demonstrado em três laboratórios ao redor do mundo (Innsbruck, Áustria; Roma, Itália e Califórnia, USA). Pesquisas com computadores quânticos estão sendo desenvolvidas em grandes empresas, como IBM, Fujitsu e ATT. O futuro está logo aqui... ou ali!
Se isso ainda é ficção, os mass media já nos prepararam para essa experiência de sair do aqui e agora. Próteses do nosso sistema nervoso central, como afirmava McLuhan, temos, através dos meios de comunicação, a sensação de tele-agir. É isso que vivenciamos, sem prestar muita atenção, toda vez que lemos os jornais, assistimos a TV ou o ouvimos o rádio. No fundo, todos os media são simuladores de universos paralelos, de novas temporalidades e espacialidades, para além do aqui e agora. Estamos aqui e lá ao mesmo tempo. Os mass media são, assim, amplificadores da mente/espírito.
O ciberespaço complexifica ainda mais essa viagem espaço-temporal. Veja se a situação não poderia ser contada dessa forma: você está aqui, digamos, em Zimbabwe, liga o seu Wap e, por exemplo, abre a porta da sua casa em Londres para que sua amiga possa entrar. Essa tele-ação amplia meu poder de interferência em um outro espaço-tempo, ampliando minha ação sobre o mundo, para além do meu lugar, Zimbabwe, e em um tempo sincrônico e real. Como um fax, onde a informação viaja para uma outra real ida de, estando aqui e lá ao mesmo tempo.
Se os computadores quânticos podem, no futuro distante, enviar
objetos e até pessoas a outros universos eu não sei. Mas
com o ciberespaço e as tecnologias da cibercultura estamos entrando
em um tempo de iluminação, mágico, de abolição
de nossas certezas espaço-temporais e de participação,
à distância, através de trocas generalizadas de informação.
No fundo, pouco importa que meu corpo seja teletransportado ou não.
O aqui e o agora não fazem mais sentido na cultura contemporânea.