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wQuarta-feira, Maio 15, 2002


Caros, hoje estou em matéria de capa da revista Play!, no seu site chamado "entretenimento eletrônico".
A entrevista está aqui .

posted by andre lemos at 17:59


wQuarta-feira, Maio 08, 2002


Conforme prometido em outra postagem, segue aqui o link para o texto sobre o movimento Wi-Fi. O texto está também no número 3 (maio de 2002) da revista Play!.

posted by andre lemos at 11:24


wTerça-feira, Maio 07, 2002


Para quem gosta de cães, um ótimo livro: "Da dificuldade de ser cão" (Cia das Letras, 2002), do francês, tinha que ser, Roger Grenier. Histórias de mestres da literatura e de filósofos com seu bichos de estimação. Como dizia Baudelaire sobre um cão e um miserável: "Leve-me com você, e de nossas duas misérias faremos talvez uma espécie de felicidade".
Sobre o tema há também uma boa fábula de Paul Auster (não é o melhor Auster, mas vale a pena) em Timbuktu, a história do cachorro Mister Bones em busca da felicidade...God é dog ao contrário, ou vice-versa.

posted by andre lemos at 10:57


wSexta-feira, Abril 26, 2002


Um ótimo livro de "filosofia prática", A Arte de Passear, do filósofo alemão, amigo de Kant, Karl Gottlob Schelle (Martins Fontes, 2001), escrito em 1802. Busca-se uma filosofia da vida, mais próxima das coisas do quotidiano. É um complemento importante à filosofia especulativa.

Excerto:
"Durante o passeio, a atenção do espírito não deve ser acentuada; ela deve ser mais uma diversão do que marcada pela seriedade. Ela deve, por assim dizer, deslizar acima dos objetos, responder a suas solicitações em lugar de se deixar coagir ao estudo destes pelo espírito".

posted by andre lemos at 11:16


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Pense e pule sempre, mas lembre-se que na vida nem sempre é possível dar um CTRL Z

posted by andre lemos at 11:10


wTerça-feira, Abril 16, 2002


Parte da pesquisa sobre Cibercidade que realizo com apoio do CNPq, colocamos online um site sobre o tema. Visitem o Cibercidades . Aceitamos, claro, críticas e sugestões.

posted by andre lemos at 10:16


wSegunda-feira, Abril 08, 2002


E o soulcyber III acontece mesmo sem que a mídia local preste atenção, apesar da divulgação, releases, sites... Lançamos em primeira mão o filme Pi, além de animés ainda inéditos em circuito comercial. A oficina de música eletrônica foi um sucesso no sábado e no domingo a casa estava cheia para o CyberBalaio no bar Quixabeira, com DJ's, infografias, sites, fotos...Dia 13 tem festa Soulcyberparty no Forte do Porto da Barra. Para ver a programação, clique aqui.

posted by andre lemos at 18:45


wQuinta-feira, Março 21, 2002


I'm lost in a lost highway
Feel like a possum in every way (LR)
Et je voudrais voler comme un poisson dans l'eau
ailleurs, nulle part ailleurs.

why am I building this fucking shit situation?
pourquoi je n'arrive pas à m'en sortir?
parce que il fait jour, il fait beau et je vais dormir...
ailleurs, nulle par ailleurs.

posted by andre lemos at 16:17


wTerça-feira, Março 19, 2002


André e Alice vendo o pôr do sol no alto do Farol da Barra.

André: olha filha, o sol é uma bola de fogo
Alice: é pai, a gente pega o fogo, mistura bem com a luz, coloca numa bola e joga ela no céu.
André: é...

posted by andre lemos at 21:02


wDomingo, Março 17, 2002


"Pois um homem em armadura foi sempre parada dura para uma moça em tanga. E esta foi a primeira paz puetaria iliterativa em todo o flâmeo, fluido, flátuo mundo. (...) Voar além nem passarão nem passarás. En tre ter e ser. (...) Assim a bonança do borguês fará a feli cidade da pólis. "

(Finnicius Revém, James Joyce).

posted by andre lemos at 19:40


wTerça-feira, Março 12, 2002


"I got a hole in my heart the size of a truck"
Lou Reed

posted by andre lemos at 10:14


wSegunda-feira, Março 11, 2002


"Il me semble que je serais toujours bien là où je ne suis pas"

Baudelaire

posted by andre lemos at 15:25


wQuinta-feira, Março 07, 2002


Estamos lançando o Soulcyber III, evento com mostra de animês sobre cibercultura e oficina de música eletrônica. O evento começa em abril. Veja detalhes aqui

posted by andre lemos at 09:39


wQuinta-feira, Fevereiro 28, 2002


Ativistas americanos estão unindo o espírito das rádios piratas e a web com as wireless communities, comunidades sem fio, que estão disponibilizando acesso gratuito para os cidadão em alguns pontos de cidades americanas como NY, Boston, Seattle e Portland. A liberdade da Web pelas ondas de rádio é conhecido como Wi-Fi (de Wide Fidelity e rima com Hi-Fi). O grupo NY Wireless é pioneiro. O espírito de compartilhamento do que chamei de napsterização da rede continua, mostrando que existe vida no ciberespaço. Em breve disponibilizo um ensaio sobre o tema.

posted by andre lemos at 15:33


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- A mãe: "Onde você arranjou um pai tão chato?"
- Alice (4 anos) - "na Internet!"

posted by andre lemos at 15:23


wTerça-feira, Fevereiro 26, 2002


Um ótimo filme em exibição: O Fabuloso Destino de Amélie Poulin de J-P. Jeunet (o mesmo de Delicatessen). A maravilhosa Amélie vai te surpreender num filme belo, engraçado e sensível ao mesmo tempo. Imperdível. Ainda vale a pena ir ao cinema...

posted by andre lemos at 08:31


wQuinta-feira, Fevereiro 14, 2002


Carvanal

Fim de carnaval e a vida começa a retomar a normalidade. A cidade pára. Falam de TAZ, de reversibilidade do quotidiano e todos têm um pouco de razão. Trata-se, evidentemente, de uma zona de autonomia temporária e de uma quebra nos papéis rígidos quotidianos. Mas também há exageros, já que nem tudo muda realmente e uma nova ordem se instala no caos. Na realidade, aqui em Salvador só confirmamos a norma e a organicidade da sociedade (e isso não é necessariamente nefasto...)

Primeiro há a ordem sócio-policial que tenta administrar a bagunça: fecha ruas, cria espaços alternativos, organiza a circulação de trios e blocos, monta centros médicos... O sistema estabiliza na crescente entropia da festa.

Segundo, a ordem psicossocial, em sua maioria, não é tão drasticamente invertida. Na realidade acho que não há inversão nenhuma. Quem conhece e mora em Salvador sabe que as pessoas não são tão diferentes assim no seu dia a dia. Aqui o cliche funciona: o carnaval é uma forma de vida (e isso não é necessariamente bom...).

Parece que o carnaval apenas deixa que elas estravasem, sem culpa e sem muita vergonha, o que elas são sempre, em maior ou menor grau. O excesso de espaço (simbólica e fisicamente falando), o excesso de alegria (com simpatia e também super-simpatia que vira melancolia), o excesso de fé e misticismo (que deixa um ar zen e complacente, sem ser a tão propalada preguiça) são exemplos da vida em Salvador antes e depois do carnaval.

Assim é o carnaval em Salvador (e só falo desse lugar), ao mesmo tempo deregramento mas também confirmação do que se é, consagração da norma e do instituído. Salvador é tão bizarra que ela escapa da visão hegemônica do carnaval. E escapa estranhamente, já que não é inversão do dia a dia ou desordem, como muitos afirmam ser o carnaval, mas confirmação do dia a dia como carnavalização. Não é catarse da dor do dia a dia já que parece não haver dor. Não é dor acumulada e espelida como vômito festivo, mas a própria vida em sua celebração plena.

Se não há dor, se não há tristeza... Assim, só cabe celebrar o que se é (e não falo sem saber das mazelas da sociedade soteropolitana, mas de uma forma de ser, de um imaginário social que constrói a vida local e coletiva). Não há inversão nem quebra da ordem se não há do que se desvencilhar. Não há, tampouco, do que se entristecer ou deprimir, já que a alegria é um dever ser aqui. A alegria, essa insuportável alegria que nos joga na ineficiente e, às vezes, dura necessidade da simpatia incondicional.

A existência carnavalizada de Salvador só veste sua própria máscara no carnaval, capitalizada por políticos, marketeiros, líderes comunitários, músicos e outros artistas, professores universitários, vendedores de cerveja e de acarajé que reivindicam e gozam, todos, na tal baianidade (que não é da Bahia mas de Salvador).

Parece que a existência carnavalizada, tipica do quotidiano baiano, só é, por assim dizer, tranformada em uma espécie de carnavalização da existência (e isso não é bom, nem mau). Nesses dias de folia, Salvador é o que é sempre, só que parodizada, exagerada, purpurinada e vitaminada.

Mas a festa acabou. A carnavalização da existência se foi e a existência carnavalizada apenas recomeça, para o melhor ou o pior.

posted by andre lemos at 14:12


wQuarta-feira, Fevereiro 06, 2002


Começo um livro interessante sobre a noção de espaço desde a Idade Média até o Ciberespaço. O livro é de Margareth Wertheim e chama-se "Uma história do Espaço de Dante à Internet", pela Zahar Editor, RJ, 2001. Aproveitando faço, a propaganda do livro "Janelas do Ciberespaço", organizado por mim e pelo Marcos Palacios, publicado pela editora Sulina, Porto Alegre, 2000. O livro trata dos diversos aspectos da cibercultura, passando por questões como cibercidades, chats, música eletrônica, comunidades virtuais, arte eletrônica, entre outros assuntos. Ele é resultado do trabalho do Centro de Estudos e Pesquisa em Cibercultura - Ciberpesquisa.

posted by andre lemos at 10:02


wTerça-feira, Janeiro 29, 2002


Na França um evento contra as várias formas de controle eletrônico, conhecida como Lei de Segurança Quotidiana, o No-Zelig, de 25 a 27 de janeiro em Paris. A lei, adotada em 31 octobre 2001 pela Assembléia Nacional da França quer que todo provedor mantenha todos os passos dos internautas pelo menos durante um ano. O No-Zelig é o encontro da contra-cultura digital européia. Veja os sites No-Zelig e Samizdat para ter uma idéia da coisa. Como diz o lema: "don't hate the media, become the media!"

posted by andre lemos at 18:47


wDomingo, Janeiro 27, 2002


- Alô, quem fala?
- É Alice.
- Quem é Alice?
- Sua filha
- E quem fala aqui?
- André
- Quem é André?
- Meu pai.

posted by andre lemos at 20:20


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"I don't trust any of you dogfuckers!" (Transmetroplitan, n. 31)

posted by andre lemos at 20:20


wSábado, Janeiro 19, 2002


Um interessante livro de estréia de Paulo Rodrigues, À Margem da Linha, pela Cosac & Naify, de 2001. Conta a saga de dois irmão do subúrbio de alguma cidade brasileira que partem pela linha férrea a procura do pai. Trecho: "Não era preciso surgir do céu o mesmo sol de novembro, nem emanar do pó as mesmas ondas de calor, para eu relembrar aquela nuvem pesada que nos obrigou a vencer o espanto e procurar abrigo. Não era preciso desabar um aguaceiro cheio de estrondos e faíscas, nem surgir do nada um casebre em ruínas, para eu sentir de novo o mesmo embaraço de pensar que ela, encostada na parede defronte de mim, poderia ouvir as batidas exaltadas do meu coração..." (p.82).

posted by andre lemos at 18:31


wTerça-feira, Janeiro 15, 2002


E Popó ganha mais um cinturão mostrando que não é queixo de porcelana e que aguenta 12 rounds. O melhor de tudo é que o "mão de pedra" é chorão, emotivo, justo (apesar dos socos na nuca, cotoveladas e outras baixarias do "casamenor"), simples. Perguntam do pai e ele chora, fala da mulher e ele chora, toca o hino nacional e ele chora...Nunca vimos lutador de boxe chorão, justo e sensível.
É isso, Popó boxeador pós-moderno.
Parace ser um emblema do que o Brasil poderia ser...mas aí já é outra história...

posted by andre lemos at 10:05


wQuarta-feira, Janeiro 09, 2002


Aulas começando depois de longa greve. Duas disciplinas em curso:
Comunicação e Tecnologia para a Graduação e Semiários Avançados para os alunos de Doutorado.

posted by andre lemos at 10:44


wQuinta-feira, Dezembro 20, 2001


Para quem quer penetrar um pouco na mente bizarra do escritor cyberpunk William Gibson, pai da palavra ciberespaço, deve clicar correndo no site No maps for these territories, um documentário sobre o autor, a bordo de uma limosine através da América, realizado pelo diretor Mark Neale. Lá você pode comprar o vídeo ou o DVD. Cyberpunk is alive!!!

posted by andre lemos at 10:12


wQuinta-feira, Dezembro 13, 2001


Acaba de sair aqui no Brasil o ultimo Don de Lillo, A Artista do Corpo, pela Cia das Letras...devorei em um dia...pequeno trecho:

"...todos os carros, inclusive o seu, parecem fluir num movimento dissociado, dando a impressão de, ou apresentando a aparência de, e a estrada segue num zumbido branco. Então o encantamento se desfaz. Tudo volta a ser barulho e velocidade e vultos indistintos, e você retorna sua vida, sentindo o peso doloroso no peito..." (p.29).

posted by andre lemos at 14:20


wDomingo, Novembro 04, 2001


Janelas lusitanas não me enganam, não cedo a sua sedução...pego minha espada e espero o aparecimento do dragão...é plena lua e consigo ver um pouco da fumaça da sua narina exilada. Mas ele se nega a lutar...e fico como um imbecil com a espada na mão.

Janelas lusitanas não me enganam, a vida continua hesitante, feliz pela sorte e infeliz pela impossibilidade de fazer como quase todos os outros...ah essa diferença indeferenciada insuportável, esse corpo imbecil, essa alegrias egóicas e nem tão pouco heróicas...fuck the heros!!!

Janelas lusitanas não me enganam, não impedem as lágrimas da solidão, nem tampouco aquelas da alegria histérica, não limpam o caminho para a pressa inacabada, nao extirpam a pressa dos que não têm caminho...

As janelas não fazem nada, a não ser me mostrar que lá fora não encontro o que há por dentro, e que por dentro nunca vou ver o lá fora. As janelas não existem, são transparências e transparentes ao mundo, limte e ilimitabilidade do nada


(Lisboa, outono)

As janelas me enganam!


posted by andre lemos at 22:43


wQuarta-feira, Outubro 31, 2001


Noite quente em Lisboa, nesse outono que mais parece verao...num cibercafe no bairro do Chiado, compartilho com estrangeiros o espaço físico do ciber bica (sim, é o nome do cibercafé) para acessar esse espaço virtual...final do colóquio sobre Cultura das Redes onde apresentei o trabalho "a arte da vida: webcams e weblogs pessoais"...hoje o encerramento foi com o americano Mark Poster que falou da cidadania na era do ciberespaço...muito interessante...

Agora ouço D&B, bebo uma Stella Artois e me preparo para andar um pouco mais pelas ruas que um dia deram apoio aos pés de Fernando Pessoa, o homem hipertexto, com seus heterônimos, avant la lettre...

posted by andre lemos at 19:14


wQuarta-feira, Outubro 24, 2001


Arrumando as malas para participar do colóquio Cultura das Redes, em Lisboa. Apresentarei o trabalho "A Arte da Vida", sobre webcams e diários pessoais na rede.

posted by andre lemos at 08:40


wQuarta-feira, Outubro 17, 2001


Foi um sucesso o evento soulcyber II realizado nos dias 15 e 16 de outubro.
Quero agradecer aos que vieram e prestigiaram o evento. A casa estava cheia apesar da chuva que não pára de cair em Salvador. O único porém foi o adiamento (E NÃO CANCELAMENTO) da videoconferência por
problemas com as operadoras...

Tivemos no nosso pequeno auditório exposições, dois filmes, mostras de
flash, djing, fanzines, webcam do evento, som ao vivo com o grupo Sound of the Beats além da
boa mesa redonda e do lançamento do livro Janelas do Ciberpespaço.

Gostaria agora de agradecer mais uma vez as pessoas que foram
importantíssimas para a realização do evento. Obrigado a todos!

posted by andre lemos at 09:42


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Mesmo com chuva e com a morosidade que marca a nossa vida acadêmica, esteve
lotado o auditório da Facom ontem para o primeiro dia do Soulcyber. Pela
manhã aconteceu a mesa redonda (mesmo com muita chuva as pessoas
compareceram) e a tarde, a partir das 18h, o auditório ficou
repleto...exposição de páginas hackeadas, performance com slide, animações
em flash, webcam e filme Love Machine e um ótimo astral...

posted by andre lemos at 09:39


wSábado, Outubro 13, 2001


Revisitando meus antigos vinis caio na Laurie Anderson (ela está com novo Cd, "Laurie Anderson: Life On A String ", o primeiro desde "Bright Red" de 1995.), no álbum co-produzido com o pernambucano Arto Lindsay, "Strange Angels" de 1989.

Na primeira música, Strange Angels:

" they say heaven is like TV
A perfect little world
That doesn't really need you
And everething there
Is made of light..."

Na segunda, Monkey's Paw:

"Well I stopped ate the Body Shop
Said to the guy:
I want stereo FM installed in my teeth
And take this mole off my back
And put it on my cheek.
And uh...while I'm here, why don't you give me
Some of those high-heeled feet?
And he said: Listen there's no guarantee
Nature's got rule and nature's got laws..."

posted by andre lemos at 13:08


wSegunda-feira, Outubro 08, 2001


Agora na maior correria para colocar o soulcyber II na rua...Vejam o evento aqui.

posted by andre lemos at 10:30


wQuinta-feira, Outubro 04, 2001


e me perguntam se o mundo mudou com os 30 anos de Internet...

O mundo mudou com a convivência de 30 anos da Internet. No entanto, nada mudou radicalmente. Vejamos: descobrimos que podemos enviar qualquer tipo de informação a qualquer pessoa no planeta em poucos segundos; descobrimos que pessoas dos mais variados lugares do mundo têm coisas em comum e podem, a despeito do espaço e do tempo, colaborarem, reforçarem laços de afinidade e, as vêzes, criar mesmo comunidades; descobrimos também que podemos ser caçados e rastreados com a capilaridade da rede de redes que e’ a balzaquiana Internet; que o Big Brother pode estar ali a nos espreitar; descobrimos, maravilhados, que todos podem falar, que o pólo da emissão foi democratizado e que podemos, assim, ouvir vozes que estavam caladas, vozes marginais que não participavam dos mass media – essa multivocalidade permitiu, nesses 30 anos, a emergência de discursos e o debate político, a denúncia e a revelação de fatos escondidos...mas proporcionou, também, o lixo informativo, os hoax mais politicamente incorretos e os demais boatos e mentiras; descobrimos, na virulencia da informação, a informação clara dos vírus: a assepcia mata e os pequenos desastres podem evitar o maior de todos eles; descobrimos que mesmo que torres caiam, a guerra cibernética está aí, com hackers, crackers e outros cyberpunks. Parece que com a velocidade da Internet, 30 anos parecem 3. Muita coisa mudou, mas ainda estamos na espiral do mesmo. E muita coisa ainda está por vir...

posted by andre lemos at 10:49


wSegunda-feira, Outubro 01, 2001


Definitivamente as coisas não são como parecem. Parece que estamos no fim do mundo, mas o mundo não tem fim; parece que estamos começando uma nova guerra, mas as guerras nunca terminaram; parece que as novas mídias irão recolocar as pessoas em contato, mas as pessoas nunca se encontram; parece que estamos morrendo, mas podemos estar apenas nascendo...

O acaso desvia os destinos e tira do foco o determinismo das certezas.

"He felt like a man who had finally found the courage to put a bullet through his head - but in this case the bullet was not death, it was life, it was life, it was the explosion that triggers the birth of new worlds." (Paul Auster, The Music of Chance., NY, Penguin Books, 1990, p.10)

posted by andre lemos at 21:53


wQuinta-feira, Setembro 13, 2001


Deve sair no Correio Brasiliense nesse próximo fim de semana...sobre o ataque ao WTC e a mídia

WORLD TRADE COMMUNICATION

Os ataques aos EUA apontam para um novo marco na história do mundo Ocidental, para uma nova reorganização do poder e da geopolítica mundial. Não sabemos ainda até onde esta constatação pode nos levar: terceira guerra mundial? resolução de problemas crônicos como o embargo à Cuba, a guerra entre Palestinos e Israelenses, a poluição do planeta, a exterminação de povos africanos…? Ainda estamos sob o impacto das imagens que, ao vivo e em tempo real, nos jogaram na sideração…qualquer prognóstico pode induzir a erros. Tudo parece ficção e realidade.

Assistimos a tudo como ficção, como um espetáculo tipicamente americano, do cinema americano. Nas telinhas da TV, nos vídeos amadores, nas fotos e nas webcams na Internet, o mundo lá fora é só imagens; parece ficção…parece não existir, existindo, entretanto, da forma mais implacável: “ao vivo”, “direto”, “live” para todo o planeta. Ficamos perplexos pelos fatos, não pela manipulação da mídia, mas pela mídia tomada de assalto pela radicalidade do ato.

A profusão de câmeras, de olhos eletrônicos, nos coloca em meio ao paradoxo maior da imagem: ao mesmo tempo comprovação dos fatos (e aí todos somos fontes de informação), e simulacro, fonte de erros e de ilusões. Cada olho eletrônico espreita cada pedaço como big brothers disseminados, como um panóptico eletrônico vigilante (veja, por exemplo as imagens de NY “ao vivo” no site spycam - http://www.spycam.com.br/spy51-55.htm). Dessa forma, as imagens (amadoras e profissionais) produzidas em todos os lugares e de todas as formas, nos colocam na suspensão das certezas, no excesso de informação e desinformação. A sensação é de estarmos assitindo a um filme policial de ficção-científica, participando, virtualmente, da cena como detetives/espectadores em busca dos responsáveis, como se estivéssemos em um grande role playing game mundial.

No caso do WTC, a estrutura midiática contemporânea (mass media e Internet) está sendo tomada pela dimensão espetacular /especular do acontecimento, mais do que espetacularizando, ela, o mundo real. Esse efeito de espelho, fractal, tem a consistência de um sonho, do torpor e da anestesia. As imagens nos anestesiam por sua densidade real. Ficamos paralizados diante das cenas aterrorizantes, fixos atrás da confortável telinha – mesmo que a apreensão toque nosso corpo com a possibilidade de uma guerra mundial. Agora mesmo, diante da televisão, vejo a imagem de NY na CNN onde uma fumaça fantasmagórica é apenas indício das duas torres gêmeas e gigantescas que simplesmente desapareceram.

É real mas parece ficção…imaginário cinematográfico, magia do inexorável. Os americanos já concelaram estréias de filmes sobre terrorismo nos EUA, mostrando efetivamente a linha tênue entre ficção e realidade. Assim, as estréias de Collateral Damage, com Arnold Schwarzenegger, e Big Trouble foram canceladas por tempo indeterminado. As séries Nova York Contra o Crime e Third Watch da TV também estão com suas produções interrompidas por tempo indeterminado.

Começo efetivo…ou fim irremediável do século XXI, o ataque que derrubou as duas torres do Centro Mundial do Comércio, que destruiu parte do Pentágono e que, simbolicamente, derrubou, por tabela, o prédio da Nasdaq (a bolsa da nova e-conomy) nos coloca em meio a um ponto de mutação, de inflexão. Entramos, parece, numa nova ordem mundial, numa ordem de urgência máxima, na eminência de uma guerra incontrolável…daí a perplexidade causada por essa forma abrupta de rompimento com o lugar comum, com a certeza, com a normalidade do real, que faz com que a anomalidade brutal pareça ficção.

Estamos todos, como em um sonho, flutuando entre o real, o irreal e o imaginário, como as imagens da guerra do golfo, uma guerra de informação de virtualização, de simulação e desrealização. Mas esta era guerra; metódica, planejada, falada, e não terrorismo dessa magnitude; cego, improvável e inpensável. Cái assim mais uma das (in) certezas contemporâneas. A era das improbabilidades derruba o lugar sagrado do Tio Sam como imaculado. O senhor do destino do mundo “civilizado” é abalado de forma cruel e inédita. Agora, se tudo está globalizado sob a batuta neoliberal, tudo e todos podemos ser alvos desse efeito (global), até mesmo aqueles que aparentemente controlam o processo. No ano 2000 o mundo já tinha acabado (Baudrillard). No século XXI tudo recomeça? Estaremos vendo o fim do pósmoderno?

posted by andre lemos at 15:07


wTerça-feira, Setembro 04, 2001


eh oui, un jour pas comme les autres...

Nas palavras de Ernest Junger:

" 'Qu'ai je à faire ici, quelle faute ai-je commise - qu'est-ce qui m'a amené ici?' Oui, qu'est-ce qui l'avait amené ici? On arrivait à l'expliquer, en suivant l'enchainement des faits, mais le tout restait une énigme." (E. Junger, Le lance-pierres, Paris, Folio, 1976).

posted by andre lemos at 09:21


wSegunda-feira, Setembro 03, 2001


Um excelente filme nas salas atualmente: Memento ou amnésia...imperdível..a não ser que vc esqueça!!!

posted by andre lemos at 20:40


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Em 1999 fizemos o Soulcyber, evento sobre música eletrônica, inédito em universidades brasileiras...agora chega o Soulcyber II, evento multimídia sobre o underground da cibercultura, cujo foco central é a música eletrônica e a cultura hacking no Brasil...Será em outubro e você pode ver o programa aqui . Imperdível!

posted by andre lemos at 20:00


wSábado, Setembro 01, 2001


Do Janelas do Mundo:

Hoje é você quem me olha, janela de todos os lugares...não quero olhar pra fora, nao quero te ver. E você aí, onipresente a me espreitar...sai prá lá...o meu olhar hoje vai pra dentro, para o inexorável eu, nao quero saber do mundo lá fora..

E é só prá isso que você serve, para ver do meu interior o exterior de onde estou...mas nao quero ver nada hoje, nem você, janela mais que indiscreta, nem ninguém. Quero olhar prá dentro como disse, mesmo que não vá encontrar nada que possa me levar para fora, para além de mim mesmo.

Venta muito e seu barulho me incomoda, parece que quer chamar minha atenção, em vão, digo logo, hoje você não vai conseguir me expurgar de mim mesmo, sair daqui onde nem eu mesmo quero estar, levado pelo inevitável...fora do meu campo de ação te ignoro na sua presença, entro em eclipse e fora da sua gravidade...hoje você perdeu...não vou te olhar, não vou me encostar em você, nao vou pensar no mundo, livre de qualquer intenção, nao vou me livrar a essa ação fortuita de ficar olhando as coisa do outro lado...vou olhar o lado de dentro, o lado obscuro, sem visão...mas vou olhar assim mesmo...não quero a sua diversão facil, não quero a sua dispersão...não quero você hoje...amanha talvez.

posted by andre lemos at 18:35


wQuarta-feira, Agosto 29, 2001


Baleia

Soterópolis, sunday, sea, sex and sun...costa atlântica margeando o carro...som de walk man toca Beck, pilha já fraca, uôuôuô...carros de um lado, carros de outro, buzinas, sinal...olhada à esquerda, um esguincho ao longe, parece fumaça... olho no sinal, verde, acelerar...olhar a esquerda...memória do esguincho...

uau! rabo de baleia...uma baleia na janela do meu carro...

sinal verde...som do walk man, uôuôuô...carros de um lado, carros de outro, buzinas...

posted by andre lemos at 11:01


wSábado, Agosto 25, 2001


Para os blogueiros, o MIT apresenta o Blogdex, um index de weblogs ao redor do mundo. Veja aqui o Blogdex
Segue a descrição:
This is a fun stop for those who want to keep up on the Web's ever-changing
zeitgeist. A project of MIT's Media Laboratory, Blogdex lists the most
referred-to sites in Weblog world. That is, Blogdex has a crawler that keeps
track of what sites Weblogs are linking to and gives a list of the most
popular. Clicking on the who? link brings up the Weblogs that linked to the
site in question. Users interested in a less ephemeral account of popularity
can check out the "all-time" top links, and the site promises a search
facility in the future for Webmasters who want to know "Am I hot, or am I not."

posted by andre lemos at 12:04


wSexta-feira, Agosto 24, 2001


Agora vai, você pediu e o Soulcyber está de volta...

posted by andre lemos at 09:45


wQuarta-feira, Agosto 22, 2001


Acabo de lançar o projeto coletivo Janelas do Mundo. Trata-se de uma experiência literária onde pessoas dos mais diversos cantos do planeta escrevem sobre aquilo que vêm a partir de suas janelas. Se você quiser participar entre em contato, ok?

posted by andre lemos at 16:16


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e ai?, você já se viu hoje?
ok, ok, talvez seja melhor não se ver mesmo!
deixa para amanhã...

posted by andre lemos at 16:08


wDomingo, Agosto 19, 2001


Hoje domingo de muita chuva e frio baiano. Nada melhor do que ficar em casa lendo. Estou me deliciando com Les Samourais, de Julia kristeva (Fayard, Paris, 1990), que conta a saga de um grupo de pessoas que passam de 68 a 90 na França principalmente no meio intelectual: "sourtout, comment peut-on écrire des romans, donc contruire du faux, un monde tel qu'on le désire, et non pas tel qu'il est, alors que chacun est malade de mensonge? On croit guérir le mensonge par un beux mensonge. Voilà une fausse idée par excellence..." (p. 87).

E quando se fala da hipocrisia e do " fazer de conta que...", típicos do meio intelectual, a personagem afirma: "la capacité de faire semblant m'impressionne plus que la bêtise ou la maladie. Rien de plus dur, de plus partagé et éternel que la fausseté. Ceux qui la maitrisent sont les joueurs qui menent le monde. Je dois dire que mes réticences morales rendent les armes devant ma fascination pour leur habilité à faire semblant qu'ils ne font pas semblant, alors qu'ils font semblant et ne font que ça, tout en le déniant, sans cesse. (p.92).

E a chuva continua...

posted by andre lemos at 09:58


wSexta-feira, Agosto 10, 2001


vem ai o soulcyber II...aguardem!!!! em setembro

posted by andre lemos at 18:32


wSábado, Julho 28, 2001


Se você não sabe se os outros te vêm como você acha que é, vai aí uma dica...
leia Luigi Pirandello, Um, Nenhum e Cem mil., Ed. Cosac e Naify, SP, 2001

posted by andre lemos at 17:29


wTerça-feira, Julho 03, 2001


Feriado na Bahia. Dia da independência.

Pouco importa, meu leitor virtual!

Escrevo esse diário e você está aí, virtualmente, de qualquer lugar e a qualquer momento. Que motivo te leva a ler? que tipo de leitor é você? que tempo, dentro deu dia a dia, você dedica à leitura? Não nos esqueçamos, somos o que fazemos com o nosso tempo. Pois é, e sempre que fazemos uma coisa temos que deixar de fazer uma outra. A leitura, e por tabela a escrita, precisam de um tempo próprio. Pensando assim, trata-se de um problema de agenda. Seria isso?

De certa forma sim...mas por outro lado não!

Pois bem, Daniel Pennac em seu "Comme un roman" (Paris, Folio, 1992) vai afirmar o contrário. Ler não é uma questão de agenda, mas de vida. Mais do que obrigação do dia a dia, incluída aí aquela de encontrar brechas, ler é um estilo de vida. Você, aqui, agora, está cumprindo o horário de sua agenda? fazendo uma leitura útil? ou você encontra aqui (na leitura, não na minha escrita) o seu estilo de vida? sua única forma de vida? Mesmo que sua agenda não permita, você encontra esse tempo prá você, essa brecha que te permite ser?

Ler (e escrever), como o amor, dilata o tempo, elastece o vivido. Para Pennac "la lecture ne releve pas de l'organisation du temps social, elle est, comme l'amour, une maniere d'etre",.

será você, leitor virtual?

posted by andre lemos at 08:25


wDomingo, Junho 24, 2001


21/06
Hoje começa oficialmente o verão na Europa e aqui na França é, há vinte anos, o dia da festa da música. A
festa foi criada pelo ministro da cultura Jacques Lange, no governo Mitterand. Faço meu ritual quotidiano de ir a Boulangerie comprar croissants e depois saio para uma última flânerie. 18h começa a festa e a cidade muda de cara...muitas pessoas na rua, dia lindo de sol, e música em cada esquina...ainda é cedo e a festa apenas esquenta. Vou ao Ministério dos Affaires Etrangeres e assisto tres grupos: rai argelino e rap senegales. Ando até o Marais para ver os grupos e djs de musica eleltrônica. Agora, tudo está lotado, sendo mesmo dificil passar nas ruas...No caminho entro no Hotel Sully, uma construção do século XVII para ouvir vários Dj's (ingleses, canadenses e franceses). Aqui o passado e o futuro ficam mesmo lado a lado e as pessoas dançam nos jardins. Na realidade é uma festa para todos os gostos: no caminho vejo grupos de rap, reggae, rock...Cansado e com o joelho doento, volto para casa satisfeito em um metrô superlotado com cara de fim de festa...

22/06.
Fim da viagem, ultimo dia. Volto ao bairro onde morei para reve-lo, o XXeme. Almoço em um resto japoneis, baratinho e que ia sempre, reencontrando a simpatica proprietaria japonesa. No metro, desde que cheguei em Paris, uma polêmica. A Galerie Lafayette colocou um cartaz no metro (aqui ele chamam de affiche) com uma mulher semi-nua sentada em um bloco de gelo. Nao aparece nada, a nao ser uma pesquena parte dos seios e a bunda com uma marca de biquine provocador. Bom, para nos brasileiros, essa foto nao diz nada e nao produz nenhuma sensacao erotica para além do normal mas aqui a coisa e' diferente. Fiquei olhando para o cartaz em vários metrôs e anotei as seguintes pichações (sempre havia uma pichação na maioria das estacoes): "pobreza de espírito, banho de merda, puta, imoral, o corpo não está a venda"...e por aí vai...E', a preferencia nacional não é bem aceita na terra de Asterix. O moralismo da roupa nao aceita uma pequena transgressão imagética e as reações estão por toda parte. Não acho que ela va durar muito já que deve ter tido um efeito de contrapublicidade e o PDG da Galerie Lafaiette deve estar com a bunda vermelha...Tomo umas guinesses em um Pub Irlandes e saio a noite para a última janta.

23/06
avião: paris, lisboa, lisboa, salvador.

posted by andre lemos at 08:39


wQuinta-feira, Junho 21, 2001


20/06

Decido hoje descer nos champs elysees e andar pelo Jardin des Tulleries. Na praca da concorde, uma enorme roda gigante oferecendo uma vista do alto de Paris. Dou tres voltas vendo a torre, a igreja do sacre coeur, o beabourg, a igreja de saint germains de pres, os invalides, o arco do triunfo, o louvre, a ache de la defence, a piramide...adrenalina contida, retomo meu caminho para as Tulleries...compro um sanduba e vou comer no jardim...o verao chegou, muito sol e o mundo inteiro alegre na rua...as mulheres e homens tiram as camadas de roupas e usam mini-saias, shorts, camisetas. Pego o metro e vou a Sorbonne assisir a conferencia final...depois cocktail no Hotel de Ville, prefeitura central de Paris...fala senadora (ela foi apresentada como senateur mas afirmou ser uma senatrice), professores e a contida festa comeca... Champagne e petiscos depois, fui a uma exposicao de arte popular: interessante mistura de esculturas em barro brasileira, bonecas japonesa saidas dos mangas, pop africano, mosaicos, esculturas, mobiles...E paralelamente esta no beaubourg a exposicao Os Anos Pop: Paris no seculo XXI revivendo os 60's e 70's...
Casa.

posted by andre lemos at 09:02


wQuarta-feira, Junho 20, 2001


09.06/10.06 - saio de Salvador em vôo direto para o Porto. De lá um carro deve me pegar para me levar à Aveiro onde vou trabalhar durante uma semana. Vôo TAP, direto Salvador Porto. de lá outro TAP para Aveiro. Em todos como sempre lugares apertados e desconfortáveis. Primeira mancada: esqueco o cabo que alimenta o laptop de energia e fico a mercê da bateria...como não posso fazer nada, leio Les Nouvelles Confessions de W. Boyd, tomo um remédio ainda no primeiro trecho pra dormir e acordo em Lisboa. De lá ao Porto. O carro estava me esperando e me leva diretamente para o Hotel Imperial, já em Aveiro, onde havia ficado no ano passado. O chofer, venezuelano, muito interessante, se mostra amável, inteligente conhecendo muito da situação do Brasil e do Portugal. Mesmo sem ter acesso a Internet, como me falou, está totalmente globalizado. Chego cansado ao Imperial, durmo. Fuso horário de 4 horas...acordo, dou um rolé pela cidade, reencontrando bares e restaurantes. A cidade é pequena mas muito agradável...janto, tomo umas cervejas e volto ao hotel. Assisto a vitória do grande Guga em Rolland Garros e depois a mais uma derrapagem do Barrichello na potente Ferrari...agora é preparar o dia seguinte...

11.06 - segunda feira é sempre chata mas quanto estamos viajando parece que ela se transforma, ou nos transformamos, o que dá no mesmo. Acordo, falo como meus colegas portuguese e vou a Universidade de Aveiro para os primeiros contatos. Leio mais romances, agora, além do Boyd, mergulho também n'"As Pessoas dos Livros" de Fernanda Young que fala sobre a difícil, solitária e maravilhosa arte de escrever...almoço e tenho a tarde livre. Flano pela cidade e tento resolver o problema do laptop. Encontro pessoas que me ajudam a resolver o problema, maior ainda sendo um Mac...não sei se os portugueses são simpáticos, mas o de Aveiro têm se mostrado muito solícitos. O tempo está ótimo nesse começo de verão de 15 graus...gosto do frio. Saio a noite, leio, leio, leio...bebo alguns drinks e volto ao Imperial para me preparar para outro dia de trabalho...

12.06. manhã de reuniões para acertar detalhes do nosso convênio na Faculdade de Comunicação e Arte. Almoço com os simpáticos colegas em uma marina, recebendo aula da grande tradição portuguesa da navegação da qual fomos objeto de descoberta há 500 anos...Volto a tarde ao hotel para preparar a minha conferência do dia seguinte sobre cidades digitais...Acabo lendo apenas os romances. Compro mais um e leio agora 3 ao mesmo tempo. Muito interessante "Os sonhos de Einstein" de Alan lightman sobre o tempo. Bom isso, ler sobre o tempo quando se tem tempo, quando o tempo não passa. O tempo é a passagem dos acontecimentos ououtra coisa? A noite saio com amigos para conversar e beber. falamos de amenidades e da necessidade de se estabelecer uma tabela de conversão do nosso português ao português deles. depois de alguns Jack Daniels e de algumas Guiness, volto ao Hotel entorpecido e pronto para o sono reparador. Ligo a tv e vejo um documentário sobr ficção científica muito legal com a participacao do grande W. Gibson. Durmo feliz!

13.06. Acordo tarde e apressado para acabar a preparação da conferência qu nem começei. Sinceramente gosto disso, de ficar maturando a coisa e só preparar na hora. Gostei do que fiz, sem saber se eles vão gostar do que vou falar. As vezes pouco importa, se me dá prazer falar o que quero falar. Me dão uma sala high-tech mas como sempre sou sempre low-tech. Gosto de apenas falar, exercitar a retórica e não preencher minhas falhas com pirotecnia power pointeriana...Acordo tarde e perco o café do Hotel. vou até o lugar de acesso público a Internet, me conecto e checo os emails. Volto ao hotel e acabo de preparar minha fala da tarde. Deixo o hotel, como algo rápido e depois enfrento a platéia sobre o assunto das cibercidades...Conferência as 15:30, chego as 15:28h...impecável! Tudo se passa bem, eu acho! A noite vou a um jantar muito agradável na casa de um colega, muito simpático, com sua simpática família. Ele mora em Ovar, uma cidade a uns 70 km de Aveiro. No caminho, o Portugal profundo, com garças nos fios de alta tensão, casas com suas terras cultivadas, igrejas do século XVIII e XIX, com os típicos azulejos portugueses. Como sempre, comemos muito bem, bebemos vinhos verdes e maduros branco, conversamos bastante. Volto a Avairo e não quero dormir. Saio só e peregrino pelos bares lotatos e animados dessa pequena cidade. bebo algumas Kalachinikofs (sic) (drink a base de vodka, absinto e laranja flambada). Passo por uns 3 ou 4 bares, vendo as pessoas se animarem em pequenos grupos. bebo mais algumas cervejas e durmo tranquilo. Amanha nada pra fazer, apenas lidar com o tempo de um feriado...

14.06. feriado. acordo tarde ...leio o jornal e duas coisas interessantes me saltam os olhos: um site (www.lisboa-abandonada.net), criado por um português que mora nos EUA e se assusta a cada vez que vem a Lisboa com o abandono de algums prédios. Cria o site e começa um movimento para debate público e ocupação dessas ruínas urbanas modernas. muito legal e é para isso mesmo que serve a Internet. Liberar o pólo da emissão, criar solidariedades temáticas, agitar a morosidade política e pública...Leio depois um artigo de alguém que não lembro o nome falando de cidades. O autor vai afirmar que sua cidade ideal é uma cidade de cidades, pedaços caleidoscópicos de várias cidades do mundo. cidade mundo, cosmopolita. Acho que concordo, a minha cidade ideal também é uma cidade com pedaços de várias outras: Praga, Istambul, Paris, Rio de Janeiro, Salvador, Amsterdã, Florença, Visconde de Mauá, Londres, Aveiro, Porto Alegre, Honfleur, e outras que se não me vêm a memória agora é porque não são tão importantes assim...a cidade é mesmo um mundo...e saio para ver CDs (os novos Radiohead, Coldcut, Daft Punk e Air chamam a minha atenção) e livros (romances, só romances me interessam nesse momento...). termino o livro da Fernanda Young, achando legal mas non troppo...me debruço sobre Les Nouvelles Confessions e os Sonhos de Einstein...estou mais nesse último agora...como um falafel em um shopping, tomo algumas cervejas e volto ao hotel. Do quarto do hotel ouço uma procissão passando, mesmo com os fones de ouvido o som me desperta deste diário e vou a janela...procissão de corpus christi...penso no meu corpo e em todos os corpos, nas prisões e nas atrações...Corpus Dei...pessoas com togas vinho empunhando crucifixos, banda marcial em marcha fúnebre e velhos em traje de gala, velhas em preto e jovens portugueses seguindo o cortejo.... Além da aura mórbida o Sol brilha lá fora na temperatura amena de 15 graus...amanha Paris....

15/06.
Saio do Imperial e rumo ao Porto para pegar o avião para Paris. No caminho passo pela cidade das cortiças, Sta. Maria da Feira, onde são produzidas as rolhas que são usadas em todo o mundo nos vinhos e champagnes. Não há tempo para visitar o museu, mas segundo o motorista que me leva ao Porto, valeria a pena uma visita. O museu foi doado à cidade por um milionário local. Estou no aeroporto, escutando musicas em mp3 no laptop que ainda tem energia em sua bateria...vou ao limite dele. O aeroporto está uma bagunça, com obras de ampliação por todos os lados..tento consumir no free shop mas é menor ou igual ao de Salvador...como ja não tenho muito dinheiro mesmo, o melhor e ficar quieto, comer um sanduba, aqui eles falam "uma sande", beber uma "super bock" (www.superbock.pt) e esperar a hora de partir para a cidade luz!...

Lendo "Os sonhos de Einstein": "a maior parte das pessoas aprendeu a viver o momento que passa. A justificação que dão é que se o efeito do passado sobre o presente é incerto, então não vale a pena dar importância ao passado; e, se o presente pouco efeito tem sobre o futuro, então não é preciso medir as consequências do presente. Pelo contrário, cada acto é uma ilha no tempo, valendo por si próprio. (...) Este mundo é um mundo de impulsos. Um mundo de sinceridades" (p. 30). E mais adiante: "apesar de a vida ser uma nave de tristeza, há nobreza em vivê-la por inteiro, e sem tempo não existe vida. Há, porém, outros que discordam, que preferem a felicidade eterna, mesmo que essa eternidade esteja presa e imobilizada como uma borboleta numa caixa"...e eu aqui preso no tempo e no espaço de um lugar como qualquer outro no mundo...aeroportos...

Chego em Paris no aeroporto de Orly. Uma senhora fica atrás de mim na fila do táxi e me toca duas vezes com seu carrinho de malas, olho pra trás e ela se toca...fico na fila e quando vou entrar no táxi ela me fala que eu tinha furado a fila...explico que estava na frente dela e que ela já havia, justamente, me tocado duas vezes...ela faz buuffff! e me digo, yes!!! estou na França, mais ainda, em Paris. Pego o táxi e vou a casa de amigos (Francis e Celma, ele francês, ela brasileira) em Malakoff. Excelente recepção, um jantar com duas garrafas de vinho e horas de papo para colocar assuntos em dia. Durmos bem no quarto emprestado pela bela e petite Yasmine...

16/06
Hoje sábado não tenho atividade e aproveito para flanar pela cidade e rencontrar o lugar em que passei cinco anos da minha vida, metáde da década de noventa. Vou a République e ando até o Beaubourg. Revejo o metrô e a lei do silêncio e do individualismo que reina ali dentro. Ninguém se olha, se fala ou se toca. E acho bom, já que não estou mesmo afim de papo...como é confortante essa situação muitas vêzes desconfortável. Essa couraça isola mas evita o encontro desnecessário, ao menos em alguns momentos. Para mim é idela, pelo menos hoje. Entro na Fnac e me sinto mal com tantos livros, cds, revitas...ohlala!, é isso o excesso avant l'ere da Internet. Me sinto impotente diante de tanto informação e ainda mais quando não temos dinheiro pra comprar tudo. Os preços nao mudaram muito mas o $Real sim...uma cerveja copo, R$4, uma maço de cigarro R$7, um CD R$40 e assim vai... Mas vamos lá: compro o novos DaftPunk e Air, musica eletrônica francesa de primeira. Compro também dois livros sobre cidades digitais e redes para me lembrar que estou aqui a trabalho, eheheh! Almoço em um lugar que ia sempre, La dame tartine, perto do Centro Georges Pompidou que me trás recordações de uma vida que não vem mais, de pessoas que não estão mais entre nós ou que tomaram outro rumo na vida...sem nostalgia, com alegria...Ouço Air e a primeira letra diz:

"we are the synchronizers
send messages through time code
midi clock rings in my mind
machines gave me some freedom
they drop me trough 12 bit samplers

we are eletronic performers
we are eletronic

we need to use envelope filters
to say how we feel
riding on magnetic waves
we search new programs for your pleasure
I want to patch my soul on your brain
BPM controls your heartbeats

we are the synchronizers
we are electronic performers"

Volto pra casa com as pernas cansadas, desacostumadas pelo carro que mata o espaço e nos deixa privados de toda flânerie...

17/06
Começa o domingão e vamos lá gastar essa perna sem muito uso. Passo por uma feira e me delicio com as particularidades da vida francesa: pães, geléias, frutas, legumes, vinhos...uma enormidade de delícias tradicionais. Páro em uma barraca e como uma galete medieval deliciosa (sei lá, deve ser da Bretagne), uma espécie de crêpe com legumes deliciosa. A feira é perto de Montparnasse, lugar que na década de 30 era o lugar da boêmia e intelectualidade parisiense...depois passa a ser Saint Germain de Pres, imortalizada por pensadores e escritores como Sartre, Beauvoir, Cortázar, entre outros. Em Saint Sulpice encontro uma feira de antiguidades, objetos muito interessantes que agregam pessoas menos pela funcionalidade do que pela aura do tempo que parece colar a eles...E não saí com esse objetivo: ir a feiras. Encontrei ao acaso, o que é sempre melhor... Pausa para descansar e tomar um café na mesma praça. Leio a revista de descolados parisienses Nova Mag. Lá me informo que a França está passando uma lei contra as free raves. É isso a França, tão moderna e tão tradicional...

Termino sonhos de Einsitein, o livro. Saio e vou em direção à Bastille. Na belíssima Ile de Saint Loius um grupo de ingleses, ou escoceses, tocam blues na rua e reúnem uma massa de pessoas. Sento no chào para apreciar esse show, grátis, ao vivo e vivo! O grupo é formado por tromptet, violao, bateria e clarineta cantando "Georgia, oh! Georgia". Muito bom. Revigorado chego a bastille onde há uma feira de livros policiais (policier et polar)...incrível a vitalidade editorial francesa...muitos, muitos livros, cada um mais belos que os outros... Antes tenho que sair da calçada para dar passagem a uma passeata de "rollers" que tomam a cidade no domingo, e também nos dias de semana...muitas pessoas andam de patinete, bicicleta ou patins...isso me faz lembrar de novo a praga que é o automóvel...

Encontro um amigo e vamos jantar um couscous marroquino no Chez Omar, um dos melhores de Paris. Com a barriga cheia tomamos um ultimo drink no Web Bar, espécie de cyber café, e volto pra casa para preparar a semana que vem pela frente. Estou fora de Paris, na Ville de Malakoff, mas como tem metrô parece que estou na mesma cidade. É, o metro extende a cidade...

18/06
Hoje, segunda, começa o colóquio "La Socialité Postmoderne", da qual participo como presidente de uma mesa redonda e como expositor. Reencontro amigos e a velha e medieval Sorbonne. Passo o dia a ouvir as diversas pesquisas em curso. Prefiro a flânerie mas é interessante ver a diversidade de assuntos que vão desde o religioso, passando pelas novas tecnologias, até o mangue beat e coisas do gênero. Cansado volto pra casa. A academia me tomou todo o tempo e não tenho mais nada de interessante a dizer.

19/06.
Caí da cama hoje. Acordo as 6h e, como toda manhã, vou a boulangerie comprar croissants e baguettes como sempre e em qualquer lugar maravailhosos. Mato assim a saudade. Hoje devo coordenar a mesa redonda sobre Criação e Técnica e, ao mesmo tempo, apresentar me trabalho sobre as cibercidades. Entro no metro e reencontro o silêncio e a indiferença, mas pouco importa de novo, estou concetrado no que vou falar e o silêncio me é até conveniente. Tudo se sai como o planejado na mesa redonda. Almoço com amigos e volto para assistir mais comunicações. A noite vou ao cocktail do colóquio no Espace Ricard...Veremos...

Estou agora sentado na Place de la Sorbonne, com um dia lindíssimo, não muito quente, não muito frio. Pessoas alegres nas sacadas dos cafés tomando sol ou simplesmente conversando...a cidade já está mais alegre com a aproximação do verão e da festa da música que acontece todo ano no dia 21 de junho, data do verão oficial aqui na Europa...

De volta depois de alguns Pastis e de um confit de canard na Bastille...
volto a ler Les Nouvelles Confession para chamar o sono...


posted by andre lemos at 05:37


wSegunda-feira, Junho 11, 2001


No além mar...estou em Aveiro, Portugal para ver a experiência do projeto Aveiro Digital. Estou agroa em uma praça perto da prefeitura com uma belissima igreja, acessando a rede de um centro publico de acesso. Ao meu redor 14 computadores com webcam disponíveis gratuitamente pra quem quiser...as vezes é pouco e temos que esperar um pouco para achar uma maquina disponível, mas existem outros pontos de acesso.

à suivre...

posted by andre lemos at 06:50


wSexta-feira, Maio 25, 2001


um bom livro sobre a vida de uma filosofa holandesa...As Leis de Connie Palmen, Ed. 34, 1997

posted by andre lemos at 09:36


wQuinta-feira, Maio 10, 2001


truismos do dia:
"o que vale é a rosa e não o nome da rosa"
"resista a toda forma de corrupção"
"pensar é hesitar"

posted by andre lemos at 11:27


wQuinta-feira, Maio 03, 2001


"I designed another message device, but never constructed more than a tiny prototype. I had the idea after spending the afternoon watching a spider build a new web. imagine such a web, fashioned from crystal, spread over a town, or a province, or an entire empire. Imagine light of different colours and intensities transmitted through theses filaments, moduleted in a such way as to carry meaning. How perfect! How beautiful! Yet my model web measured no more than an arm's span. It functioned as I planned, when stimulated by my system of optic sources. Yet it was just a toy to amuse the king, who could never grasp its true use or significance" (Sunya, de Hari Kunzru, in Tank, #10, out-june 2000, Tank publication, London.)

posted by andre lemos at 11:30


wQuarta-feira, Abril 25, 2001


"Ainsi, disait Bréhal, l'amour serais le temps devenu sensible. Pas du tout une affaire d'organes, ni même d'esprit en feu, mais un pacte de mots basculant en souvenirs perceptibles" (Julia Kristeva, Les Samourais).

posted by andre lemos at 17:26


w


Saiu e encontrou na rua a evidência que não esperava...parecia ter desaparecido para o resto do mundo. A chuva que não o molhara já anuciava o presságio de seu desaparecimento. Esbarrava em pessoas que nada sentiam, ou assim ao menos demonstravam, entrava em lugares e não era percebido, falava com pessoas que não respondiam ao seu apelo. Nesse momento pensou que estava morto, mas a dor da sua existência era tanta que comprovava exatamente o contrário. Estava vivo, sim, mas só para ele mesmo? e no fundo estamos vivos para outros que não nós mesmos? Até quando poderia suportar essa situação? Acendeu um cigarro e entrou no metrô mais próximo.

posted by andre lemos at 17:23


wSegunda-feira, Abril 09, 2001


Ele não cessava de pensar naquele graffiti. Queria pular mas não sabia como. E o pior é que não era só a forma que o preocupava. No fundo, não sabia para onde ir. A inércia de sua vida sem graça o havia paralisado. Buscou então uma solução mais fácil, sair de relações viciadas e necrosadas. Isso já era, ao menos, uma forma concreta de ação, sem precisar buscar a solução ideal ou definitiva. Sabia que esta era impossível. Tomava consciência, naquela chuva que parecia não o tocar, que era resolvendo pequenos detalhes que poderia, de maneira mais madura, achar uma solução para sua penível vida. E assim o fez. Pensou, em primeiro lugar, em cortar relação com pessoas nefastas, pessoas que sugavam sua energia vital, embora nao acreditasse nem um pouco nesse papo de energia. Lembrou de uma música do americano Lou Reed, que ouvia sempre, independente de seu estado de espírito, "sword of democles", onde o personagem dizia não acreditar nessas besteiras místicas. Ele era assim, concreto, quase um cientista que acredita tanto na razão que ela vira uma fé.

E assim, andando perdido por entre tumbas de gente famosa, naquela chuva fria e sem graça que o deixava indiferente, que começou a fazer uma lista de pessoas a evitar. Nao tinha mesmo mais nada a perder e então catologava nomes na sua cabeça, nomes que queria esquecer, todos os nomes a começar pelo seu. Nas alamedas molhadas do Père Lachaise, refletia sobre a importância de cada nome, sobre a incrível força desses nomes que criam monstros só em serem pronunciados. A palavra não mata a coisa, pensava, antes ela a cria de uma forma inexorável.

Mas ele estava no estado de não aceitar destinos. Nada mais naquele momento seria inexorável. Para tudo deveria haver uma saída...menos para a morte...pensou, olhando famosos fragmentos de corpos que, se é que ainda estavam lá, jaziam aos seu lado. Caminhou em direção à saída. Não queria mais compartilhar o silêncio dos mortos, queria a vitalidade da rua que pulsava para além dos muros do famoso cimitério. Precisava da vida em meio aos mortos, mesmo daquelas vidas banais, vidas virtuais que não tinham mais nenhum élan. Queria Belle Ville, queria o metrô Alexander Dumas, queria ver o Sena...queria dizer não a várias pessoas que circundavam sua vida como moscas um pote de mel. De agora em diante tudo iria começar a mudar lentamente, mas progressivamente, pensava em sua reflexão de cientista. Encontrou o sentido do pulo...esse não seria o pulo com ó maiúsculo, mas uma série de pequenos pulos quotidianos que iriam lhe dar força para superar a crise. Bom, era assim que pensava, pelo menos naquele instante. Cruzou a porta do Père Lachaise entendendo o sentido de sua visita.


posted by andre lemos at 20:29


wQuarta-feira, Abril 04, 2001


Salut Francis et Celma, une bise chaleureuse si vous êtes là a me regarder...un coucou à la belle Yasmine.

posted by andre lemos at 16:30


wSábado, Março 31, 2001


Federico est la....

posted by andre lemos at 12:28


wSexta-feira, Março 30, 2001


Hoje vai essa...

"La mouche qui s'empiffre dans un pot de confiture n'epouvre pas le besoin de changer de décor" (W. Boyd, Les Nouvelles Confessions).

posted by andre lemos at 19:28


wTerça-feira, Março 20, 2001


Oppps, alguns dias longe daqui...férias é isso aí...descompromisso. Mas não se desesperem pois a atualização constante vai continuar...Ah, já ia esquecendo...agora abandonei nosso bom e velho Rwindo$s para aderir a boa e sempre boa maça mordida...yes bye bye uncle Bill...

Cabe aqui depois, não agora, estou de férias, uma reflexão sobre a diferença cognitiva da utilização do mac em relação ao pc...mas fica pra próxima...

posted by andre lemos at 20:23


wQuarta-feira, Março 14, 2001


Para quem gosta de música eletrônica, o lançamento mundial da dupla francesa Daft Punk está chagando ao Brasil. Segundo a assessoria da gravadora EMI/Virgin no Brasil, “o lançamento nacional de ‘Discovery’ ainda não tem data definida devido a um atraso na chegada dos cartões que acompanham o CD”. Cada cópia do disco traz um cartão com identificação que dá acesso a áreas restritas do site oficial da banda (www.daftpunk.com), onde os fãs podem encontrar faixas inéditas.

posted by andre lemos at 10:17


wSegunda-feira, Março 12, 2001


" Mais vale esperar o acaso de um encontro, sobretudo sem ter o ar de esperar também. Pois é assim, dizem, que nascem as grandes invenções..." (Jean Echenoz, "Vou embora", p. 45).

posted by andre lemos at 10:16


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Passou um bom tempo do seu dia pensando no graffiti. Achava que deveria realmente entrar em um outro momento. Sua vida não era mais sua e disso ele não gostava nem um pouco. Durante toda a sua tranquila existência teve, ao menos é essa a impressão, o controle total, vivendo com um panopticum interior que monitorova todas as suas ações e pensamentos. Os pequenos deslizes, logo que fossem percebidos enquanto tais, eram corrigidos com severidade por ele mesmo. Não era questão de criação, de pais repressores ou coisa parecida. Ele era assim mesmo, controlador de seus impulsos, senhor do seu destino, mestre do seu dia a dia.
Mas agora tudo era diferente...sua vida nao era mais sua, tinha perdido o fio da meada e buscava agora soluções diferenciadas. Mas achar soluções diferenciadas nao era o seu forte...nunca exercera isso e nao era agora, de uma hora pra outra, que ele iria conseguir pular.

A chuva continua fina e o frio aumenta gradativamente ao passar das horas. Ele não consegue se mover diante do graffiti, e mesmo chovendo, continua se sentindo totalmente seco, inabalável e agora imóvel. Pensa na possibilidade metafórica do pulo e começa, pouco a pouco, a acha-la interessante.."não pare, pule!"...simples, prático e radical. O seu problema agora é: como parar e pular?; e para onde? Paralizado escuta vozes internas que lhe dizem aforismos incompreensíveis, misturadas com burburinhos de alguns passantes na chuva...

posted by andre lemos at 10:05


wQuinta-feira, Março 08, 2001


...Belleville estava particularmente efervescente nesse dia. Andou, esquivando-se dos passantes: negros vestidos como se estivessem em suas terras natais, árabes que se saudavam na passagem, orientais de todas as origens correndo nas tarefas quotidianas. Se o mundo não é Belleville, Belleville contém um mundo...A chuva continuava insistente, fazendo com que ele não se esquecesse de seu corpo...os pingos da chuva não o tocavam, ou assim parecia. Ao chegar ao Père Lachaise, defronta-se com as paredes imponentes de seus muros, passa o portal e é abordado por alguém que queria vender, por 10 francos, um mapa, mostrando a rotas dos túmulos mais famosos: Jim Morrison, Isadora Duncan, Chopin, Alain Kardec...Não havia interesse específico. Não queria ver tumbas ou fazer turismo mórbido, apenas se perder nas ruas do famoso cemitério, onde o silêncio ajuda a pensar e os corpos, agora degradados, não incomodam mais. Sua vida estava na normalidade absoluta, o que o deixava muito, muito conformado e estressado ao mesmo tempo. Aliás a conformidade é essa espécie de morte diária, de fim de expectativas, de neutralidade absoluta. Nunca fora muito nômade em si mesmo e, agora, devido a nova situação, teria que inventar a si mesmo; o que não era uma prática diária. Buscava uma saída, mas nada era evidente já que sempre procurou, o mais insistentemente possível, permanecer na tranquilidade inerte do dia a dia. Parou diante de um graffiti nos muros que dizia "não pare, pule!". Era isso que precisava, pular...

posted by andre lemos at 11:49


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Aforismo do dia:
"Para quem você respira?"

posted by andre lemos at 11:27


wQuarta-feira, Março 07, 2001


E nesse dia chuvoso ele sai de casa, não antes de tomar o seu café com leite e croissant para encarnar a alma depois de oito horas de um sono bizarro, repleto de sonhos incompreensíveis. Desce os andares do prédio e se encaminha para o metrô mais próximo, na Rue d´Avron. Pega o primeiro trem e desce algumas estações depois em Belleville. Ele sempre amou a mistura de culturas e a profusão de corpos estranhos desse bairro. Acordou hoje com vontade de cruzar Belleville a pé, flanar pelo bairro e se encaminhar de forma tortuosa ao cemitério Père Lachaise. Sem pressa podemos ver os detalhes do mundo, pensa, perdido em meio a gotas de chuvas que pareciam não atingi-lo. Nada esconde esse seu desejo mórbido de ver mortos. Parece que é para confirmar que estava vivo, se é que essa confirmação possa se dar de alguma forma definitiva...

posted by andre lemos at 11:34


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Notícia do underground: MANCHETES - Terça-feira, 6 de Março de 2001

Hackers roubam 98 mil números de cartões de crédito

No período de outubro do ano passado a fevereiro de 2001,
os piratas de computadores tiveram acesso às informações
dos usuários cadastrados na Bibliofind.com, subsidiária da
Amazon.com.

Veja aqui

posted by andre lemos at 11:04


wTerça-feira, Março 06, 2001


Arte Eletrônica. O Museu de Arte Moderna de São Francisco está com a exposição 010101. Veja o site aqui. Segundo o diretor do museu, David Ross, o evento é sobre tecnologia e seu impacto em nosso dia-a-dia.

posted by andre lemos at 16:27


wSegunda-feira, Março 05, 2001


Um pais no fim do mundo, gelado e totalmente conectado...a terra da Bjork. Saiu no www.europemedia.net:
According to Icelandic State Statistics, 79.5 per cent of all Icelanders had access to the internet by January 1999. Such a figure is beyond most other countries' wildest dreams. In 1998 39.4 per cent of Icelanders were using the internet, and almost 60 per cent of them from home. By contrast, in 1998 only 22 per cent of the Danish homes were connected to the internet. And of course almost everyone has a mobile phone in Iceland.



posted by andre lemos at 18:37


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Ferias é tempo de flânerie, ainda mais se ficamos na mesma cidade. Legal poder flânar pela sua própria cidade. Normalmente fazemos isso quando estamos em outras localidades...mas não na nossa...não temos tempo e, como dizem os franceses, ficamos sempre no metro, boulot, dodo (metro, trabalho e cama). Hoje experimentei a flânerie pelos espaços da cidade...e descobri o que ja sabiamos sem saber: na flânerie eu me aposso um pouco das ruas, pessoas, lojas e monumentos...torno o meu trajeto um escrita particular...

Volto pra casa e ouço Yo la Tengo...No caminho de casa leio Cortázar que diz: "quando abrir a porta e assomar à escada, saberei que lá embaixo começa a rua; não a norma já aceita, não as casas já conhecidas, não o hotel em frente; a rua, a floresta viva onde cada instante pode jogar-se em cima de mim como uma magnólia, onde os rostos vão nascer quando eu os olhar, quando avançar mais um pouco..." (História de cronópios e de famas, p.4).

A rua, a alma encantadora das ruas (João do Rio).

posted by andre lemos at 17:57


wSábado, Março 03, 2001


E o Fluzão perde a taça Guanabara nos penaltis...
e olha que algum espírito malígno ajudou em um penalti do flamenguinho...incrível...
mas o seguno turno vem aí...

posted by andre lemos at 20:41


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Começo a ler "Histórias de Cronópios e de Famas" do grande escritor argentino Julio Cortázar. Depois lanço aqui minhas impressões.
à suivre...

posted by andre lemos at 10:42


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Notícia do underground brasileiro...

A TARDE, quarta-feira, 28/02/2001, Plantão de Notícias, 15h10
Um hacker brasileiro, que se identificou como "Angel",invadiu a página brasileira da Warner Bros e deixou a seguinte mensagem:
"Que coisa, hein? Pois é !!!!!!!!! Warner !!!!!!!! Nós brasileiros temos muito talento também para fazer filmes. O problema é que vcs roubam da gente e começam a vender como se fosse seu !!!!! O que dizer ? Afinal vcs são uma das maiores empresas cinematográficas do mundo ... é claro né ? Pisando em empresas menores !!!!! faça aquilo que vc espera que façam com vc
Eu não costumo hackear web pages por aí , mas pra vcs eu abro uma excessão ..."
;) mail ? angel_1@linuxbr.com.br

posted by andre lemos at 10:38


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opps sabadão de sol...pegar Alice e go to the beach...oh yeahhh!

posted by andre lemos at 10:31


wSexta-feira, Março 02, 2001


Para uma visita por um deserto virtual click no 404nOtF0und

posted by andre lemos at 16:08


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"The universe fades as we anticlimax together. I roll off the sofa and look for a cigarrete but the cigarettes are all smoked. Then I remember we´re both dead anyway, so I smoke myself" (Mykle Hansen, Eyeheart Everything).

posted by andre lemos at 10:29


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Aforismo do dia: "Aproveite os paraísos artificiais...os naturais não existem".

posted by andre lemos at 09:36


wQuinta-feira, Março 01, 2001


Pagina pessoal no ar mas em constução!

posted by andre lemos at 16:08


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Aviso Importante: Estou em merecidas férias. Logo, nada de trabalho...

posted by andre lemos at 15:37


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"A here exists only in relation to a there, not the other way around.
There´s this only because there´s that; if we don´t look up, we´ll
never know what´s down. Think of it, boy. We find ourselves only
by looking to what we´re not. You can´t put your feet on the ground
until you´ve touched the sky" (Paul Auster, Moon Palace).

Site do dia: www.sleazenation.co.uk. Difícil pra ler mas vale uma visita.
Agora o site metendo o pau no No Limite (www.odeionolimite.cjb.net).

Para melancólicos de plantão um belíssimo CD. Belle e Sebastian ("fold your hands child, you walk like a peasant").
Cool, violinos, guitarras e vozes aéreas...muito bom!

posted by andre lemos at 10:20