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404nOtF0und ANO 6, VOL 1, N. 51· janeiro/2006 ISSN 1676-2916 http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/404nOtF0und Editor: André Lemos A IMAGEM DIGITAL DA CIDADE DE CURITIBA Este trabalho tem o objetivo de pesquisar a Curitiba digital que se sobrepõe
à cidade concreta como a conhecemos, com suas ruas e avenidas,
praças e edifícios; paisagens que escondem uma rede virtual
dinâmica, ininterrupta e pouco perceptível aos olhares menos
atentos. Além do urbano, do visual e do sonoro, do caos que caracteriza
toda metrópole, existe uma outra cidade, conectada ao mundo e executando
silenciosamente as funções que dão suporte ao funcionamento
da cidade real. Qual a origem desta cidade, como se estruturou essa rede,
quem são as pessoas que se utilizam dela e como o fazem são
as perguntas para as quais essa pesquisa busca a resposta. INTRODUÇÃO: A CIDADE DE CURITIBA A capital do Estado do Paraná sempre representou papel secundário
no panorama político e econômico brasileiro. Ofuscada por
sua proximidade com a cidade de São Paulo ou pela representatividade
marcante de Porto Alegre como a capital do Sul, o fato é que Curitiba
não foi palco de grandes acontecimentos nem teve peso nos grandes
momentos da História nacional. Desta forma, o tempo passou e a cidade permaneceu invisível, silenciosa,
indiferente à exuberância política dos gaúchos
ou à dinâmica polarizadora de São Paulo. Apenas nos
últimos anos a cidade passa a se tornar conhecida no cenário
nacional como uma alternativa interessante de local para investir, trabalhar
e viver. A redescoberta de Curitiba trouxe para o cenário nacional
uma capital moderna, cosmopolita, bem diferente da imagem provinciana
conhecida; de lugar frio, isolado e desinteressante, passou a ser destino
atraente para brasileiros e estrangeiros em busca de qualidade de vida. Entender como se estruturou a cidade e o processo que determinou suas
características urbanas peculiares é necessário para
que possamos traçar o esboço que servirá de roteiro
para a compreensão da Curitiba digital que vibra sob a superfície.
Acontecimentos, clima e geografia são elementos importantes na
constituição da cidade como hoje a conhecemos; uma série
de fatores que, combinados, resultaram na metrópole que hoje atrai
pessoas de todas as partes do mundo (Ultramari; Moura, 1994). Até a primeira metade do século XX, Curitiba era apenas
uma pequena capital periférica, famosa pelo frio das madrugadas
e pela timidez de seus habitantes. Economicamente inexpressiva, não
possuía indústrias de porte nem atrativos turísticos
ou culturais, era apenas ponto de passagem de viajantes ou destino de
estudantes vindos do interior. Lentamente, porém, a cidade crescia
e começava a sentir os efeitos da urbanização desorganizada,
do trânsito cada vez mais lento e da miséria que se manifestava
nas favelas em torno do centro (Wilheim, 1990). Na esteira dos projetos de urbanização realizados por arquitetos
europeus para São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (embora
nunca implementados) e na euforia da construção de Brasília,
Curitiba também providenciou seu Plano Diretor de Urbanização.
Elaborado em 1965, pela empresa paulistana Serete Engenharia S.A. associada
ao escritório de arquitetura de Jorge Wilhem, o projeto para a
regulamentação do uso e expansão da cidade seguia
os conceitos do denominado Urbanismo Humanista (Dunin, 1990). Essa corrente
defendia a humanização dos espaços públicos,
cada vez mais invadidos pelo trânsito. É dessa época
a visão dos amplos espaços de convivência, das ruas
fechadas aos veículos e abertas aos pedestres, da revitalização
dos espaços deteriorados e da multiplicação das áreas
verdes dentro da malha urbana. Se nas grandes capitais essa visão
se mostrou inviável ou mesmo indesejável, na modesta Curitiba
a utopia não era impossível; a dimensão dos problemas
não inviabilizava as ações e, é preciso lembrar,
vivíamos um período político de pouca liberdade e
muito investimento externo. Da combinação de vontade política
com a abundância de financiamento internacional, resultou um processo
acelerado de reurbanização e transformação
das áreas degradadas de Curitiba. Colaborando com esse processo,
outra peculiaridade contribuiu para a implantação bem sucedida
do Plano Diretor: Enquanto nas principais capitais a alternância
política interrompia, abandonava ou mesmo desfazia as obras das
administrações anteriores, em Curitiba acontecia o contrário.
Os mesmos estudantes de Arquitetura que, como estagiários, colaboraram
na elaboração dos projetos, agora estavam à frente
do poder executivo municipal. A figura mais representativa deste período foi, sem dúvida,
o arquiteto Jaime Lerner, que ocupou a Prefeitura por três gestões
(1971-1975, 1979-1983 e 1988-1992) quando pôs em prática
toda a teoria acumulada durante a elaboração do projeto
(Oliveira, 2000). Outras administrações dessa época
ou estavam perfeitamente alinhadas com os objetivos do Plano ou, na oposição,
pouco alteraram o que já vinha sendo feito. Desta forma, ao invés
de abandonar o que seus antecessores tinham começado, como é
comum no Brasil, as novas administrações davam continuidade
às obras e procuravam seguir o projeto original. Essa combinação
de fatores foi fundamental para que a cidade tenha tomado a forma atual
e se tornado um modelo único de urbanização entre
as capitais brasileiras. Somente o trabalho continuado possibilitou a
transformação do espaço urbano como foi feito em
Curitiba; depósitos de lixo foram transformados em espaços
para eventos, favelas se tornaram praças e Jardim Botânico,
prédios abandonados agora são centros culturais. Essas e
várias outras mudanças improváveis são a manifestação
do planejamento urbano continuado e implementado (Forte Netto, 1991).
A decisão de abrir avenidas demolindo áreas centrais ou
transformar ruas importantes em espaço exclusivo para pedestres
provocou grandes discussões na época, mas hoje são
aceitas com tranqüilidade. Críticos, no entanto, apontam problemas
onde aparentemente só se divulgam vantagens; o cuidado excessivo
com a aparência dos equipamentos urbanos e a concentração
dos investimentos nas áreas mais nobres, em detrimento da periferia
pobre, determinaram o agravamento dos desníveis sociais e o isolamento
cada vez maior das camadas menos favorecidas. É fato que, ao nos
afastarmos do centro da cidade, passamos a encontrar os mesmos problemas
que vemos nas grandes cidades brasileiras (Oliveira, 2000). O planejamento
urbano não foi suficiente para evitar as mazelas comuns aos grandes
centros; embora diferente das outras capitais, Curitiba também
sofre com problemas de trânsito, saneamento e violência. Mudanças
de comportamento e desenvolvimento do espírito crítico dão
origem a uma sociedade que discute e contesta. O financiamento das grandes
obras já não existe, o endividamento público é
controlado e as transformações radicais da paisagem urbana
pertencem ao passado. O desenho da estrutura urbana, porém, associado à formação
étnica e cultural peculiares, resultou em um terreno fértil
para o surgimento de uma outra Curitiba. Tecida sutilmente por entre a
trama física da cidade, uma outra malha se estende e ocupa os espaços;
apoiada na tecnologia digital, uma Curitiba virtual se expande de forma
rizomática (Martin, 1998). Sem controle central, independente de
decisões políticas, a comunicação digital
brota espontaneamente por todos os lugares e compõe uma nova cidade
sobreposta à velha estrutura urbana. A COMUNICAÇÃO EM CURITIBA A origem predominantemente européia da população
associada ao clima frio decorrente da situação geográfica,
fizeram de Curitiba um lugar atípico no cenário nacional.
Se o Brasil é conhecido pela cordialidade de seus cidadãos,
como afirmava Gilberto Freire, e famoso pela informalidade amistosa das
pessoas, como anuncia a mídia internacional, Curitiba é
o oposto desta imagem. Desta forma, compartimentada em pequenas colônias, a comunicação também se fragmentou e ficou limitada a cada círculo de origem compartilhada. Esse isolamento foi ainda estimulado por anos de estagnação econômica; enquanto outras regiões encontravam novas formas de desenvolvimento agrícola e industrial, Curitiba poucos atrativos oferecia ao investimento externo e assim ficou por muito tempo isolada em seu provincianismo. A CURITIBA DIGITAL Nas últimas décadas do século XX, dois fenômenos
transformaram radicalmente a forma fragmentada da comunicação
urbana em todo o mundo (Lemos, 2004). A princípio, uma alteração
dramática da estrutura social e econômica com a chegada das
grandes indústrias e, consequentemente, de levas migratórias
que traziam novos hábitos e impunham uma paisagem mais cosmopolita
(Sganzerla, 1991). O comércio, respondendo a essa nova demanda,
multiplicou opções de consumo e lazer, provocando a mistura
do tradicional provinciano com o caos vibrante da globalização.
Para os mais maduros, essa mudança nem sempre parecia agradável;
para os mais jovens a adaptação foi instantânea e
bem vinda. A cidade ganhou nova paisagem étnica e urbana, a vida
noturna, antes praticamente inexistente, explodiu em inúmeras alternativas
para todos os tipos de público e tribos. Acompanhando essa transformação, outro fenômeno contribuiu
para modificar os hábitos comunicacionais dos curitibanos - a acelerada
evolução dos meios tecnológicos multiplicou as formas
de contato (Jones, 2002) e, vindo ao encontro da maneira intimista e fragmentada
de convivência da população local, colocou o curitibano
em contato com o mundo sem agredir seu modo tradicional e fechado de relacionamento.
A comunicação digital parecia feita sob encomenda para os
hábitos peculiares deste cidadão: Sem a expansividade cordial
do brasileiro típico nem a intimidade espontânea tradicionalmente
encontrada nos trópicos (Zuffo, 1997), o curitibano podia agora
comunicar-se livremente sem ter invadida sua privacidade tão preciosa.
Protegido em sua casa ou seguro nos ambientes freqüentados por sua
tribo, o usuário dos serviços de comunicação
digital entrou em contato com o mundo, tornou-se cosmopolita sem deixar
de ser provinciano. Curitiba adotou imediatamente a nova mídia, sua composição
social e seus hábitos comunicacionais estavam perfeitamente alinhados
com as características da comunicação digital. Enquanto
as classes de maior poder de consumo interligavam-se com seus computadores
e celulares de última geração, os órgãos
oficiais e as empresas mais atualizadas percebiam a necessidade de oferecer
ao público oportunidades de inclusão no novo sistema. Para
as organizações privadas, a conexão do consumidor
significava a multiplicação do mercado e a possibilidade
de atingir um público até então inacessível;
para o governo, a digitalização era a forma ideal de entrar
em contato com o cidadão, controlar e arrecadar tributos de forma
rápida e eficaz, desafogando a excessiva centralização
dos órgãos públicos. E, finalmente, para o cidadão,
um novo universo se abria, conectado ao mundo, descobria serviços
e oportunidades de consumo e lazer até então desconhecidos. Não foi por acaso que Curitiba foi a primeira cidade do Brasil
a ter uma rede pública de internet; em junho de 2000 o Instituto
Curitiba de Informática implementava o programa “Digitando
o Futuro”, que tinha por objetivo reduzir a exclusão digital
entre a população. Por meio desse trabalho foram implantados
centros de acesso à rede nos Faróis do Saber e Rua 24 Horas,
além disso, serviços semelhantes foram disponibilizados
nas Ruas da Cidadania, Escolas Municipais e mesmo em unidade móvel,
o Inter Clique, ônibus que percorre os bairros da cidade levando
a comunicação digital à periferia. Grandes empresas
e shopping centers colocaram terminais em suas instalações
disponíveis a seus funcionários e clientes. Escolas e equipamentos
urbanos logo acrescentaram computadores à lista de serviços
oferecidos aos usuários e um interessante nicho de mercado surgiu
com os novos hábitos da população urbana. A demanda
por um serviço diferenciado deu origem a estabelecimentos que têm
nos computadores seu maior apelo comercial, são os cibercafés
e lan houses que reúnem os usuários e aficionados da comunicação
digital e dos games eletrônicos. Comunidades inteiras se formam,
campeonatos são realizados, a cidade extrapola seus limites físicos
e conecta-se com o mundo. Uma outra Curitiba é criada pela rede eletrônica, uma cidade virtual com usuários reais que, a partir de seus computadores, circulam, comunicam-se, consomem e agrupam-se em novas tribos. É uma cidade idealizada, suas ruas existem virtualmente, suas praças e pontos turísticos também; ali não há engarrafamentos, violência ou intempéries. A imagem digital de Curitiba é perfeita e supera a imagem real, é uma cidade para ser visitada e usufruída sem os riscos inerentes às grandes metrópoles. CONCLUSÃO O planejamento de uma cidade é apenas uma forma de intervenção
no desenho de seu desenvolvimento; a emergência natural de tendências
de ocupação, divisões ou conurbações
é ainda a marca do biológico, do humano sobre a paisagem
artificial (Johnson, 2003). A desorganização natural da
ocupação humana é o que dá vida à cidade
e o que permite ao cidadão participar da dinâmica urbana. “De fato, no horizonte da cidade inteligente, a organização
não pode ser pensada sem seu complemento desorganizador: a conexão
transversal. O impulso inicial das circulações, a dobra,
a redobra e o desdobramento em si em um espaço de proximidades
de sentido e das relações humanas animam e percorrem permanentemente
a democracia em tempo real.” A forma espontânea e irregular da comunicação de
cada indivíduo em busca de sua identidade e da proximidade com
seus semelhantes é o que organiza a sociedade em células
e compõe o tecido social. A diversidade dos grupos, a tribalização
em comunidades é a forma orgânica que estrutura a sociedade
e dá vida ao ambiente urbano. O planejamento acadêmico tende
a tratar a cidade como um objeto homogêneo, padronizado, ignorando
que a ocupação do meio ambiente se dá a partir de
movimentos espontâneos, desiguais e, muitas vezes, incompatíveis.“Assim,
o reconhecimento da diversidade e a ritualização do constrangimento
que ela suscita levam a um ajustamento específico que, de alguma
forma, utiliza o dissenso e a tensão como fatores de equilíbrio
úteis à cidade.” É a desigualdade que dá vida à cidade; o previsível
e o formalizado inibem o crescimento e a manifestação criativa.
A humanidade sobreviveu aos desafios da evolução por sua
capacidade infinita de adaptação ao meio e sua forma criativa
de superar as dificuldades que tornaram extintas espécies muito
mais fortes. As civilizações mais desenvolvidas surgiram
justamente nos pontos de confluência de levas migratórias
e seus conseqüentes conflitos; a somatória das diferenças
é que produz a evolução. Da mesma forma, a cidade
se beneficia das tensões entre os grupos, a busca de afirmação
é que estrutura a sociedade e aprimora a comunicação.“A
experiência comunicacional, por seu lado, compreende aquilo que
as ciências cognitivas designam por ambiente cognitivo mútuo.
Esta modalidade da experiência não depende do desenvolvimento
da informação, mas da partilha de uma comunidade de vida.
È o fato de partilhar a memória de uma história comum
e de saber que constitui a experiência comunicacional.” A cidade é o conjunto de comunidades que tecem a malha social
e dão estrutura à paisagem urbana. Mesmo estratificados
em grupos de características específicas, a população
compartilha a metrópole, divide espaços, dificuldades e
interesses comuns e torna-se também um organismo coeso. A comunicação
nasce da necessidade de interação, não apenas entre
os semelhantes mas, principalmente, para sintonizar as diferenças
entre os grupos distintos que compõem a cidade. O equilíbrio
entre essas comunidades e a possibilidade de comunicação
como instrumento de organização social determinam a forma
como a cidade ocupa o espaço e resolve seus problemas. À
medida que a cidade cresce, as dificuldades se avolumam e a comunicação
fica comprometida; os urbanistas, ao projetar o espaço físico,
ignoram ou percebem a dificuldade de qualquer intervenção
a esse nível. Soluções paliativas como praças,
parques ou centros de lazer pretendem colocar em contato o maior número
de pessoas, mas apenas refletem uma realidade subjacente; os grupos permanecem
fechados ainda que dividam os mesmos lugares. Em pouco tempo, o próprio
espaço se divide em classes e as tribos assumem o controle de uso
de cada área projetada para o compartilhamento. A comunicação digital, ao projetar-se espontaneamente sobre
a malha da cidade já existente, apresenta, a princípio,
uma configuração semelhante à ocupação
do espaço físico. Apropriada inicialmente pelas camadas
de maior poder aquisitivo, a cibermídia tende a concentrar-se em
poder da população que consome mais. Entretanto, pela ausência
de limitadores, de um controle central ou mesmo de qualquer hierarquia
que a subordine, a comunicação digital extrapola os limites
socioeconômicos e coloca em contato todos os grupos que compõem
a cidade e a própria cidade com o mundo. “Sabe-se que os arquitetos ou urbanistas clássicos contribuem
pra produzir o ambiente material, prático e mesmo simbólico
dos grupos humanos. Do mesmo modo, os acionistas, os criadores e os engenheiros
do ciberespaço contribuem para produzir os ambientes de pensamento
(sistemas de signos, tecnologias intelectuais), de percepção
(interfaces), de ação (trabalho à distância,
teleoperação) e de comunicação (direitos de
acesso, políticas tarifárias) que em grande parte irão
estruturar as evoluções sociais e culturais. Uma outra cidade se estrutura a partir do digital, mais dinâmica
e mais democrática, evolui e ocupa espaços, comunica-se
e desenvolve novos grupos a partir de interesses comuns. Agora não
mais limitados pelo ambiente físico, os habitantes circulam, movimentam-se,
trocam informações, enfim, ocupam a cidade virtual que se
sobrepõe à cidade física. Os espaços físicos
perdem parte de sua aura tribal e tornam-se pontos de encontro eventual,
apenas a formalização de uma identidade já construída
eletronicamente. A cidade virtual que se formou rizomaticamente por meio
da rede de computadores pode ser percorrida a qualquer momento sem riscos,
livre de intempéries ou engarrafamentos. O cidadão circula,
convive e comunica-se com seus semelhantes sem sair de casa ou do escritório,
os adolescentes compartilham não apenas a convivência da
escola, mas durante todo o dia trocam imagens, notícias e afetividade
por meio de seus celulares e computadores. A cidade digital multiplica
o tempo de convivência e aproxima as pessoas sem a necessidade do
deslocamento e o desconforto da invasão de privacidade. Os amigos
estão presentes a qualquer momento e os indesejáveis podem
ser desligados com um simples click. “No processo de virtualização das cidades deve acontecer,
para que as cibercidades possam ser assim chamadas, formas de transporte
e comunicação, onde os percursos de pessoas pelo espaço
informativo a partir de trocas comunicacionais possam se inserir em trocas
de informação entre elas. (...) O cibercidadão não
é um flâneur que passa pelas ruas, mas um ciberflâneur
que clica nos links do ciberespaço, tendo uma relação
muito mais intelectual do que corporal com o lugar.” O relacionamento entre as pessoas e destas com a cidade passa a ser predominantementeintelectual;
a proximidade física limita-se ao grupo mais íntimo e à
família. A cidade física é visitada apenas depois
de percorrida eletronicamente; encontros, cinema, jogos ou passeios são
programados antecipadamente, e muitas vezes, nem se realizam fora do ambiente
virtual. A Curitiba virtual é, em resumo, o ambiente perfeito, onde o conforto, a segurança e a proximidade das pessoas interessantes são reais e disponíveis a qualquer momento graças às facilidades proporcionadas pela comunicação eletrônica. BIBLIOGRAFIA DUNIN, Lubomir Ficinski. Memória da Curitiba urbana. Curitiba:
IPPUC, p. 11 – 25, maio 1990.
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